O Legislativo aprovou uma propositura em regime de urgência, exigindo o planejamento e a execução de medidas para o controle populacional dos animais
Pelo menos 1.800 capivaras vagam pelas áreas verdes de Piracicaba, nas beiras de rios e córregos, segundo dados disponibilizados à Câmara (Mateus Medeiros/ Gazeta de Piracicaba)
Os vereadores de Piracicaba pressionam o Executivo pela organização de um projeto de manejo e esterilização das capivaras, que tomam conta das áreas verdes em zonas urbanas. O tema já foi debatido em plenário, e quem foi ao microfone alertou que o roedor é o principal hospedeiro do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa — doença que já matou dois moradores da cidade neste ano.
O Legislativo aprovou uma propositura em regime de urgência, exigindo o planejamento e a execução de medidas para o controle populacional dos animais. A resposta da Prefeitura ainda não foi enviada.
O requerimento é assinado pelo vereador Felipe Gema (Solidariedade). O texto ressalta que a doença é uma zoonose grave, muitas vezes letal. O animal, segundo ele, contribui para a amplificação da presença dos carrapatos no ambiente urbano, aumentando o risco de transmissão da bactéria causadora da febre. Gema quer que a Prefeitura defina um prazo para a esterilização.
O vereador abraçou a causa após episódios que envolveram pessoas próximas. Um amigo seu perdeu a filha pequena por febre maculosa. Em sua opinião, a quantidade desses roedores na cidade é alarmante. O risco de acidentes de trânsito também preocupa. “Uma pessoa próxima da família sofreu acidente grave na Rodovia Luiz de Queiroz ao atropelar uma capivara na região do Horto do Tupi”, disse o vereador à Gazeta.
O controle populacional se faz necessário, afirma, porque a espécie não possui predadores naturais.
O apoio a Gema veio de outros vereadores da Casa. Laércio Trevisan Jr. (PL) alertou para a infestação de carrapatos na área de lazer da Rua do Porto. Citou, ainda, que funcionários da Esalq já foram acometidos pela doença, inclusive com registros de casos fatais no passado.
Pedro Kawai (PSDB) chama atenção para os pontos mais críticos do município: margens dos rios Piracicaba e Corumbataí, margens do ribeirão Piracicamirim, Monte Alegre, Ártemis, lagoa do Santa Rita e Parque da Rua do Porto.
Solução
Campinas esteriliza animais
A Prefeitura de Campinas anunciou nesta semana que pretende castrar as capivaras que circulam pelo Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim — a maior área verde da cidade, com um milhão de metros quadrados.
As equipes do Meio Ambiente planejam a instalação de bretes no parque. São equipamentos para a captura dos animais, que passarão por um programa de manejo reprodutivo. Pelo menos 30 capivaras vivem no Ecológico, e mais de uma centena em todos os outros parques da cidade.
O número
1.800 capivaras vagam pelas áreas verdes de Piracicaba, nas beiras de rios e córregos, segundo dados disponibilizados à Câmara.