A imprensa espanhola tentava localizar nesta terça-feira (4) Juan Carlos I, rei emérito do país, que poderia estar em Portugal, um dia depois do anúncio de seu exílio da Espanha
A imprensa espanhola tentava localizar nesta terça-feira (4) Juan Carlos I, rei emérito do país, que poderia estar em Portugal, um dia depois do anúncio de seu exílio da Espanha. A informação não foi confirmada pela Casa Real.
Toda a imprensa tinha como certo que o ex-chefe de Estado, investigado por corrupção, já havia deixado a Espanha, o que nem a Casa Real nem o governo corroboraram.
O jornal online El Confidencial indicou na terça-feira à tarde que Juan Carlos, 82 anos, estaria em Portugal, onde passou parte de sua adolescência, na cidade de Azeitão, localizada a cerca de trinta quilômetros de Lisboa.
Já o jornal ABC, próximo da monarquia, e outros veículos divulgaram que o monarca teria abandonado a Espanha para seguir até a República Dominicana, após uma escala em Portugal.
No entanto, o serviço de imigração dominicano afirmou que Juan Carlos I "não entrou" em seu território e o Ministério das Relações Exteriores do país disse à AFP "não ter informações" sobre o rei emérito.
O monarca, envolvido em um escândalo de corrupção, anunciou na segunda-feira a decisão de deixar a Espanha para ajudar o filho, o rei Felipe VI, no "exercício de suas responsabilidades". A carta dirigida a Felipe VI, publicada no site da Casa Real, não informa o novo destino de Juan Carlos I.
O presidente do governo Pedro Sánchez disse que não sabia sua localização e sugeriu que foi o atual rei que pressionou seu pai a deixar o país.
"O governo e eu, como presidente, expressamos nosso absoluto respeito às decisões que a Casa Real tomou (...) para se distanciar de uma conduta questionável e repreensível" de um membro da família real, disse Sánchez em entrevista coletiva.
O rainha emérita Sofia, que vive há anos separada do antigo monarca, ainda está na Espanha, segundo uma fonte próxima ao palácio real.
O rei Juan Carlos viu seu nome citado nos últimos meses em reportagens da imprensa da Suíça e da Espanha que apontam o recebimento de comissões supostamente ilegais por parte da Arábia Saudita. O Tribunal Supremo espanhol anunciou em junho uma investigação sobre os casos e os possíveis crimes do monarca, mas apenas os cometidos a partir de 2014, quando perdeu sua imunidade com a abdicação.
Javier Sánchez-Junco, advogado do rei emérito, afirmou na segunda-feira que seu cliente se colocará à disposição da promotoria, se necessário.
Juan Carlos ascendeu ao trono em 1975, após a morte do ditador Francisco Franco, e ocupou a função de chefe de Estado da Espanha durante 38 anos, até sua abdicação em benefício do filho Felipe em junho de 2014.
O rei emérito teve grande popularidade durante décadas por seu papel durante a transição espanhola, mas nos últimos anos sua imagem perdeu força por seu comportamento individual e os casos de corrupção da família real.