Lourival Messias, líder comunitário, há seis anos, falou que só soube do corte de água quando alguém da comunidade lhe telefonou dizendo que as máquinas já estavam lá

Líder da comunidade disse que não foram notificados sobre o corte de água, que ocorreu ontem (Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba)
Cerca de 240 famílias da comunidade Lago Negro, em Piracicaba, num total de mais de 2 mil pessoas, ficaram sem água ontem após o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) chegar com os maquinários e fazer o corte. Para representantes do local foi mostrada uma liminar concedida pela Justiça.
Lourival Messias, líder comunitário, há seis anos, falou que só soube do corte de água quando alguém da comunidade lhe telefonou dizendo que as máquinas já estavam lá e que foi apresentada uma liminar assinada por um juiz.
“Saí de Rio das Pedras e vim aqui, porque temos crianças, idosos, pessoas enfermas, e nosso intuito é poder colocar o relógio um dia e pagar a água, até mesmo a energia elétrica, mas, por enquanto, isso não pode acontecer por ser área particular”, declarou.
O líder explicou que existe uma briga na Justiça, sobre um acordo referente à compra da área, mas está um tanto difícil. Segundo Lourival, a proprietária da área está pedindo R$ 4,8 milhões.
“O terreno aqui foi muito prejudicado porque tem bastante entulho e pretendemos pagar o que está valendo. Para regularizar água e luz temos que apresentar um documento registrado em cartório, mas ainda não conseguimos por conta do impasse na compra do terreno”, explicou.
Davi da Silva disse que os moradores sabem de suas responsabilidades e estão tentando legalizar a situação. “ Não queremos ficar com essas coisas de graça e nem pegar nada de ninguém. Estamos esperando a resposta do juiz, se a mulher aceita nosso acordo. Além de ficarmos sem água no Dia das Mães, inclusive, corremos o risco de ficarmos também sem energia”, revelou.
“A gente é consciente que está errado, mas estamos lutando para regularizarmos tudo. Vamos fazer uma movimentação com o prefeito para ver o que ele pode fazer quanto a isso. Estamos chateados porque nenhum órgão veio nos dar uma notificação, mas como nosso pessoal é de mente aberta, civilizado, aceitamos o corte sem tumulto. Esse foi o presente que o prefeito deu para nossas mães”.
Outro lado
O Semae informou, por meio do Centro de Comunicação Social da prefeitura, que cumpriu determinação judicial, que a autuação foi feita pela Justiça e que a ação faz parte do trabalho de fiscalização realizado pelo Ministério Público e prefeitura para desfazimento de loteamentos irregulares.