Ranking do Saneamento 2025, divulgado esta semana pelo Instituto Trata Brasil, mostra que Piracicaba perde mais da metade da água tratada. Resultado utiliza dados do Sinisa, com ano-base 2023
Estudo coloca a cidade entre as 10 que mais desperdiçam água; Prefeitura diz que dados são de 2023 (Divulgação)
Piracicaba aparece entre os dez municípios brasileiros que mais desperdiçam água tratada, segundo o Ranking do Saneamento 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. O levantamento, publicado esta semana, tem como base os dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa), com ano-base 2023.
De acordo com o estudo, 55% da água captada e tratada em Piracicaba se perde antes de chegar às torneiras, colocando a cidade na 94<SC210,170> posição entre os 100 municípios mais populosos do país. A taxa é significativamente superior à média nacional de perdas, que é de 37,78%2.
Além do alto índice de desperdício, Piracicaba também caiu da 19ª para a 24ª colocação no ranking geral de saneamento básico, que avalia critérios como abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, perdas na distribuição e investimentos por habitante.
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, explicou que os cálculos do ranking seguem as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê até 2033: 99% da população com acesso à água tratada; 90% com coleta de esgoto; 80% com tratamento de esgoto e redução de perdas para até 25% até 2034.
O estudo também destaca que apenas 12 municípios entre os 100 mais populosos investem acima da média considerada necessária para universalizar o saneamento: R$ 223,82 por habitante ao ano. Piracicaba está abaixo desse patamar.
Mas existem considerações sobre os resultados, feitas pelo próprio instituto: a aparente queda nos resultados gerais de saneamento reportados pelo Sinisa de 2025, que considera os dados do ano de 2023, quando comparados aos dados do SNIS de 2024 (ano-base 2022). No entanto, essa percepção pode ser explicada pela atualização metodológica em razão da publicação do Censo de 2022.
“Nos últimos anos, em razão do atraso na coleta e divulgação dos dados do Censo, estimava-se um número maior de pessoas por residência. Com a divulgação dos dados, contudo, descobriu-se que a população residente não aumentou como se projetava anteriormente. Assim, os números relativos a 2023 podem representar um ajuste à realidade do país, não indicando uma piora objetiva na cobertura do saneamento no país, mas sim uma medição mais refinada e precisa”, ressalta o estudo.
Desde 2009, o Instituto Trata Brasil monitora os indicadores dos maiores municípios brasileiros com base na população, com o objetivo de dar luz a um problema histórico vivido no país. A falta de acesso à água potável impacta 16,9% dos brasileiros e 44,8% não possuem coleta de esgoto, refletindo em problemas na saúde, produtividade no trabalho, valorização imobiliária, turismo e na qualidade de vida da população
Nota da Prefeitura
A Prefeitura de Piracicaba, por meio do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), informa que os dados apresentados pelo Instituto Trata Brasil referem-se ao ano de 2023, quando a atual gestão ainda não era responsável pela autarquia e, desta forma, não se manifestará sobre os indicadores citados.
A atual gestão que assumiu o Semae em janeiro de 2025 reforça que vem trabalhando para melhoria do saneamento da cidade junto com a empresa Mirante - responsável pela gestão do Esgoto da cidade, via Parceria Público Privada firmada em 2012 -, por meio de importantes ações como a retomada da produção de água em sua capacidade máxima nas ETAs Luiz de Queiroz e Capim Fino e instalação de reservatórios em diversos pontos estratégicos da cidade.
Além disso, realiza outras melhorias no abastecimento, que vão influenciar diretamente na redução das perdas d´água, entre elas a setorização da rede, a ampliação de equipes para pequenos reparos, bem como troca de redes e a instalação de novas adutoras.”, finaliza a nota.