Abastecimento

Piracicaba está entre as 10 cidades do Brasil que mais desperdiçam água

Ranking do Saneamento 2025, divulgado esta semana pelo Instituto Trata Brasil, mostra que Piracicaba perde mais da metade da água tratada. Resultado utiliza dados do Sinisa, com ano-base 2023

Da Redação
16/07/2025 às 08:44.
Atualizado em 16/07/2025 às 16:54

Estudo coloca a cidade entre as 10 que mais desperdiçam água; Prefeitura diz que dados são de 2023 (Divulgação)

Piracicaba aparece entre os dez municípios brasileiros que mais desperdiçam água tratada, segundo o Ranking do Saneamento 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. O levantamento, publicado esta semana, tem como base os dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa), com ano-base 2023.

De acordo com o estudo, 55% da água captada e tratada em Piracicaba se perde antes de chegar às torneiras, colocando a cidade na 94<SC210,170> posição entre os 100 municípios mais populosos do país. A taxa é significativamente superior à média nacional de perdas, que é de 37,78%2.

Além do alto índice de desperdício, Piracicaba também caiu da 19ª para a 24ª colocação no ranking geral de saneamento básico, que avalia critérios como abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, perdas na distribuição e investimentos por habitante.

A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, explicou que os cálculos do ranking seguem as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê até 2033: 99% da população com acesso à água tratada; 90% com coleta de esgoto; 80% com tratamento de esgoto e redução de perdas para até 25% até 2034.

O estudo também destaca que apenas 12 municípios entre os 100 mais populosos investem acima da média considerada necessária para universalizar o saneamento: R$ 223,82 por habitante ao ano. Piracicaba está abaixo desse patamar.

Mas existem considerações sobre os resultados, feitas pelo próprio instituto: a aparente queda nos resultados gerais de saneamento reportados pelo Sinisa de 2025, que considera os dados do ano de 2023, quando comparados aos dados do SNIS de 2024 (ano-base 2022). No entanto, essa percepção pode ser explicada pela atualização metodológica em razão da publicação do Censo de 2022.

“Nos últimos anos, em razão do atraso na coleta e divulgação dos dados do Censo, estimava-se um número maior de pessoas por residência. Com a divulgação dos dados, contudo, descobriu-se que a população residente não aumentou como se projetava anteriormente. Assim, os números relativos a 2023 podem representar um ajuste à realidade do país, não indicando uma piora objetiva na cobertura do saneamento no país, mas sim uma medição mais refinada e precisa”, ressalta o estudo.

Desde 2009, o Instituto Trata Brasil monitora os indicadores dos maiores municípios brasileiros com base na população, com o objetivo de dar luz a um problema histórico vivido no país. A falta de acesso à água potável impacta 16,9% dos brasileiros e 44,8% não possuem coleta de esgoto, refletindo em problemas na saúde, produtividade no trabalho, valorização imobiliária, turismo e na qualidade de vida da população

Nota da Prefeitura

A Prefeitura de Piracicaba, por meio do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), informa que os dados apresentados pelo Instituto Trata Brasil referem-se ao ano de 2023, quando a atual gestão ainda não era responsável pela autarquia e, desta forma, não se manifestará sobre os indicadores citados.

A atual gestão que assumiu o Semae em janeiro de 2025 reforça que vem trabalhando para melhoria do saneamento da cidade junto com a empresa Mirante - responsável pela gestão do Esgoto da cidade, via Parceria Público Privada firmada em 2012 -, por meio de importantes ações como a retomada da produção de água em sua capacidade máxima nas ETAs Luiz de Queiroz e Capim Fino e instalação de reservatórios em diversos pontos estratégicos da cidade.

Além disso, realiza outras melhorias no abastecimento, que vão influenciar diretamente na redução das perdas d´água, entre elas a setorização da rede, a ampliação de equipes para pequenos reparos, bem como troca de redes e a instalação de novas adutoras.”, finaliza a nota.

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