Meio ambiente

MP cobra Prefeitura por atraso na reforma do Zoo

Termo de Ajustamento de Conduta firmado em 2021 previa conclusão das obras até o fim de 2022. Intervenções estruturais seguem incompletas, e parte sequer saiu do papel. Gestão atual solicita novo prazo e apresenta plano com ações executadas e pendentes. Promotoria busca repactuação para garantir melhorias

Rogério Verzignasse
28/08/2025 às 07:00.
Atualizado em 28/08/2025 às 07:01

Um dos nove recintos que serão reformados e estruturados para abrigar os animais novamente (Divulgação)

O Ministério Público e a Prefeitura de Piracicaba vão definir um novo prazo para a execução completa da reforma estrutural do Zoológico. Ainda em 2021, o governo municipal assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e se comprometeu a revitalizar o espaço, a partir de obras necessárias elencadas pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público (Gaema). Algumas intervenções nunca saíram do papel, apesar de o acordo estabelecer que as obras deveriam estar concluídas no final de 2022.

Diante da situação, a promotora pública Alexandra Faccioli Martins determinou, ainda na segunda-feira, que a Administração se manifestasse sobre o andamento das obras. O governo atual reivindicou ao MP a prorrogação do prazo para resposta, com o objetivo de detalhar os serviços que já foram executados e os que estão planejados.

“Seguimos fiscalizando o cumprimento do TAC que deliberou sobre a revitalização do zoo e melhorias da infraestrutura, inclusive em relação ao manejo dos animais. Já estamos conversando com a gestão atual para uma repactuação, para chegarmos a um plano de ações e um novo cronograma”, disse à Gazeta a promotora Alexandra Faccioli Martins, que cuida do caso. “Algumas ações foram executadas, mas ainda há diversos pontos que devem ser cumpridos pelo Município.”

O MP, no caso, foi sensível a apontamentos feitos pela gestão anterior no tocante ao atraso dos serviços. A pandemia e o ano eleitoral foram entraves para a contratação do diagnóstico e a execução efetiva das obras. Agora, existe a expectativa de que, no novo governo, o Município consiga honrar seus compromissos.


Manutenção falha e recintos fechados

O cenário atual do parque mostra que é preciso investir. A manutenção deficiente é notada em várias áreas do zoo, com estruturas comprometidas. Nos banheiros, há janelas enferrujadas, vidros quebrados, maçanetas faltando, mictórios arrancados e lâmpadas queimadas. Pelas alamedas do parque, o visitante nota recintos interditados. Há até trechos com alambrados rompidos.

Dos 66 recintos, nove estão desativados, seja por conta de reformas que já começaram, seja por simples mudança no plantel. Os animais envelhecem e morrem, ou são transferidos para santuários ou outros parques zoológicos mais adequados ou estruturados para cada espécie.

As transferências, segundo a Prefeitura já explicou anteriormente, também integram a estratégia de dotar o parque de uma nova finalidade: a de ser um ambiente de educação ambiental e preservação da fauna nativa.

O plano de revitalização elaborado pelo governo na gestão anterior já previa a modernização arquitetônica e paisagística do parque, além de obras estruturais definitivas que garantissem o bem-estar dos animais.

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