Transporte escolar

Motoristas de vans denunciam ocupação indevida das vagas

Motoristas de vans escolares denunciam ocupação indevida das vagas por pais de alunos; falta fiscalização e sinalização, aumentando riscos às crianças

Rogério Verzignasse
02/12/2025 às 06:51.
Atualizado em 02/12/2025 às 06:51

Veículos parados em local reservado ao transporte escolar: Prefeitura promete intensificar fiscalização (Mateus Medeiros)

O problema é antigo e parece longe de ser resolvido. Motoristas de vans escolares já perderam a esperança diante da falta de respeito às vagas reservadas ao transporte escolar nas ruas da cidade. As placas instaladas nas calçadas deixam claro: a ocupação é permitida apenas a veículos autorizados, de segunda a sexta-feira. Mesmo assim, o desrespeito é diário.

Quem ocupa indevidamente essas vagas? Quase sempre pais de alunos, que buscam a comodidade de parar o carro em frente à escola para esperar os filhos. Com isso, as vans precisam estacionar longe, obrigando as crianças a caminhar pela rua até encontrarem o transporte. A situação preocupa a ACEP (Associação dos Condutores Escolares de Piracicaba) e também pais que contratam o serviço, alarmados com os riscos que os estudantes enfrentam fora do ambiente escolar.

Motoristas relatam que o problema se repete em frente a praticamente todas as escolas. Em um colégio da Cidade Alta, fotos flagraram carros particulares ocupando as vagas destinadas às vans. “A falta de educação é tremenda. Pessoas que procuram levar vantagem acabam prejudicando um número imenso de alunos que dependem das vans”, disse um condutor, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

Falta de sinalização e fiscalização

Para os denunciantes, a ausência de empatia não é a única causa. Eles afirmam que a situação poderia ser resolvida com sinalização mais clara, incluindo pintura no solo, como ocorre nas vagas destinadas a idosos e pessoas com deficiência. Dessa forma, ninguém poderia alegar desconhecimento. Além disso, defendem fiscalização mais rigorosa, com aplicação de multas, para inibir a prática.

Segundo a ACEP, a Prefeitura prometeu no início do ano demarcar todas as vagas no solo em até seis meses, mas a promessa não foi cumprida. “Já preparamos cartilhas e palestras nas escolas sobre a importância do respeito às vagas. Mas precisamos do apoio da Prefeitura. Estamos preocupados com a segurança das crianças”, afirmou outro motorista em mensagem à Gazeta.

Com a sinalização e fiscalização deficientes, os condutores recorrem à ajuda dos seguranças das escolas, que fornecem cones para demarcar os espaços.

Vaga especial no lugar errado

Na Cidade Alta, motoristas relatam uma situação inusitada: a vaga para transporte escolar na rua Alfredo Guedes foi demarcada no lado oposto da calçada onde os alunos embarcam. Assim, a porta do veículo fica voltada para o meio da rua, expondo as crianças ao risco.

Oficial

Prefeitura promete intensificar fiscalização

A Secretaria de Segurança Pública, Trânsito e Transportes informou que, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a regulamentação de qualquer vaga de estacionamento é definida exclusivamente pela sinalização vertical. Dessa forma, todo condutor que ocupar vaga sinalizada como proibido parar e/ou estacionar, ou com qualquer outra regulamentação específica, está sujeito à autuação pelo agente de trânsito que constatar a infração.

A pasta esclareceu ainda que a sinalização horizontal (pintura no solo) não regulamenta a vaga, servindo apenas como orientação sobre o espaço físico destinado ao veículo. A Secretaria destacou que a fiscalização será intensificada.

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