Trabalho

Empresários locais discutem impacto da escala 6x1

Em Piracicaba, empresários do comércio e serviços debateram o fim da escala 6x1. Eles defendem cautela para evitar impactos em micro e pequenas empresas, responsáveis pela maioria dos empregos

Rogerio Verzignasse
08/05/2026 às 06:46.
Atualizado em 08/05/2026 às 06:46
Lideranças regionais, reunidas no Senac, discutiram jornada de trabalho, empreendedorismo e transformação digital (Divulgação)

Lideranças regionais, reunidas no Senac, discutiram jornada de trabalho, empreendedorismo e transformação digital (Divulgação)

A discussão sobre o fim da escala 6x1 mobiliza representantes do comércio e dos serviços. Para os empresários, o tema precisa ser tratado com cautela para evitar impactos desproporcionais, principalmente sobre micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior parte dos empregos gerados no país. Piracicaba sediou, no começo da semana, debate com comerciantes de toda a região.

Na avaliação dos empresários, eventuais mudanças devem considerar as particularidades de cada segmento econômico e ser conduzidas por meio de negociação coletiva, respeitando a realidade operacional tanto das empresas quanto dos trabalhadores.

Segundo os comerciantes, setores que dependem de atendimento contínuo e horários estendidos, como farmácias, alimentação e prestação de serviços, tendem a sentir os impactos de forma mais intensa.

Para o setor, é possível discutir modelos mais flexíveis de organização do trabalho e funcionamento do comércio. É rejeitada, porém, uma mudança generalizada de jornada por lei, já que cada segmento possui dinâmica própria. Esse tipo de discussão, segundo os empresários, precisa continuar acontecendo por meio da negociação coletiva. “São temas que impactam diretamente a competitividade das empresas e o ambiente de negócios, reforçando a importância da atuação sindical e do diálogo permanente com o setor produtivo”, destacou o presidente do Sincomércio Piracicaba, Itacir Nozella.

Dados apresentados pela FecomercioSP apontam que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar significativamente os custos da folha de pagamento no país. A entidade estima um aumento de cerca de 22% no custo da hora trabalhada, cenário que tende a impactar com maior intensidade micro, pequenas e médias empresas.

A preocupação cresce especialmente entre os pequenos negócios, que já operam com margens reduzidas e pouca capacidade para absorver aumentos bruscos nos custos operacionais e trabalhistas.

Há também receio quanto aos impactos sobre contratos terceirizados e aqueles vinculados à administração pública. Muitas empresas que prestam serviços para municípios trabalham com equipes operacionais e escalas específicas. Uma mudança abrupta, sem transição e sem discussão setorial, pode gerar desequilíbrios e aumento de custos.

O comércio defende ainda que a discussão nacional avance paralelamente em pautas estruturantes voltadas à sustentabilidade dos pequenos negócios, como a atualização dos limites do Simples Nacional, considerados defasados há mais de uma década.

A FecomercioSP enfatiza que eventuais alterações relacionadas à jornada sejam acompanhadas de mecanismos de transição gradual e maior flexibilidade para negociações entre empresas e trabalhadores.

Piracicaba sediou debate regional

O possível fim da escala 6x1 e os impactos econômicos para o setor produtivo estiveram no centro dos debates da reunião da Câmara Regional Sudeste do Conselho do Comércio Varejista (CCV), órgão da FecomercioSP, realizada na última terça-feira, dia 5, pelo Sindicato do Comércio Varejista de Piracicaba.

O encontro reuniu representantes de oito sindicatos patronais da região para discutir temas estratégicos para os empresários do comércio varejista. Um estudo da entidade estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas pode gerar choque de custos sem ganhos de produtividade, comprometendo a competitividade das empresas e podendo inviabilizar operações, sobretudo em setores intensivos em mão de obra.

Além de Piracicaba, participaram representantes de sindicatos patronais das cidades de Itú, Campinas, Rio Claro, Jundiaí, Itapira, Itapeva e Americana.

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