
Deputada Professora Bebel diz que é necessária uma grande mobilização para impedir mais esta investida do governador (Divulgação)
A deputada estadual piracicabana Professora Bebel (PT) marcou audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para debater e pressionar o governador Tarcísio de Freitas a retirar o projeto de lei da reforma administrativa da educação, que tramita naquela Casa desde o ano passado. A audiência, que contará com a participação de especialistas para esmiuçar o projeto — considerado um duro ataque à carreira dos servidores estaduais e da educação — está marcada para o próximo dia 12, às 18h, no plenário Teotônio Vilela.
Bebel, que é a primeira presidenta interina da Apeoesp, afirma que é necessária uma grande mobilização para pressionar o governador a retirar o projeto da Assembleia Legislativa, já que os ataques aos servidores públicos vêm sendo intensificados cada vez mais. “Esse governo já iniciou demissões arbitrárias e tenta enfraquecer o magistério paulista com cortes, avaliações injustas e precarização da carreira. Foram dispensados diretores cujas escolas não tiveram bom desempenho, como se fosse responsabilidade desses profissionais o mau desempenho dos alunos, e não a falta de estrutura. O governador Tarcísio de Freitas e o secretário da Educação, Renato Feder, não podem inventar formas de demitir com a finalidade de rejuvenescer o magistério paulista”, diz.
Para a parlamentar e educadora, o que faz uma categoria permanecer mais tempo nos serviços públicos são os baixos salários. Isso, segundo Bebel, leva o professor a permanecer mais tempo no magistério, já que, ao se aposentar, terá redução em seus vencimentos. Para resolver essa situação, ela defende a necessidade de uma carreira atraente, aberta e com várias formas de evolução — e não o desmonte da carreira, como vem sendo feito pelo governo do Estado de São Paulo, que não cessa os ataques ao magistério paulista.
Outro ataque que o governo estadual estaria praticando contra os profissionais do magistério paulista é retirar a autoridade dos professores, ao estabelecer que o trabalho desenvolvido em sala de aula passe a ser avaliado pelos próprios alunos. “Nós não estamos brigando com o aluno. Estamos dizendo apenas que há etapas da vida, e a educação se caracteriza pelo processo de transmitir a aprendizagem de uma geração para outra. Você pega um aluno de 15 anos e, ao avaliar o professor, ele pode levar para o lado subjetivo, portanto pessoal, e acabar demitindo esse professor, já que a nota do aluno terá peso. Isso irá retirar a autoridade do professor. Não basta tirar a carreira, pagar baixos salários e não dar condições de trabalho, agora querem tirar também a autoridade”, criticou Bebel.
Portanto, a deputada reforça que é preciso uma grande mobilização da sociedade paulista contra esses ataques, que tendem a ser ampliados contra os servidores estaduais e os serviços públicos. “Queremos a retirada deste projeto e vamos intensificar a mobilização. Esta audiência pública é fundamental para aprofundarmos as discussões sobre os principais pontos do projeto, que atinge diretamente os servidores estaduais”, completa.