INTERNACIONAL

Coronavírus reforça autoritarismo no Oriente Médio e no norte da África

Os direitos humanos, já violados no Oriente Médio e no norte da África, são ainda mais enfraquecidos pelas medidas drásticas tomadas para lidar com a epidemia de coronavírus

AFP
29/03/2020 às 11:06.
Atualizado em 31/03/2022 às 06:34

Os direitos humanos, já violados no Oriente Médio e no norte da África, são ainda mais enfraquecidos pelas medidas drásticas tomadas para lidar com a epidemia de coronavírus.

Diante da pandemia, quase metade da humanidade está confinada e às vezes vigiada de perto.

A população apoia predominantemente as medidas adotadas, embora algumas vozes alertem sobre suas repercussões nos direitos humanos.

Essa preocupação é particularmente válida para o Oriente Médio e no Norte da África, onde esses direitos são mais precários, há numerosos regimes autoritários e poucos contrapoderes democráticos.

Em vários desses países, as imagens de avenidas vazias percorridas por veículos militares encarregados de impor os confinamentos contrastam com as dos movimentos populares que, em 2019, causaram a queda de governos e chefes de Estado na Argélia, no Iraque, no Líbano e no Sudão.

Até o momento, 42.000 casos covid-19 e 2.600 mortes foram oficialmente registrados no norte da África, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que instou as autoridades a tomarem medidas drásticas contra a epidemia e a serem transparentes.

A primeira parte da mensagem parece ter sido melhor compreendida do que a segunda.

Na Jordânia, o rei Abdullah assinou um decreto concedendo poderes excepcionais ao governo. Os veículos blindados foram posicionados nas ruas e centenas de pessoas presas por não respeitarem o toque de recolher.

No Marrocos, o exército também apareceu em Rabat para garantir o respeito ao "estado de emergência sanitária".

"As pessoas estão pedindo mais ordem (...). Estamos testemunhando uma grande operação para relegitimar politicamente o papel do Estado em tempos de coronavírus", opina um jornalista marroquino que exige anonimato.

Em Israel, há um debate de que o serviço de segurança nacional de Shin Beth, geralmente focado no contraterrorismo, agora está autorizado a coletar dados de cidadãos para combater o vírus. Essa decisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu gerou polêmica em um contexto de crise política.

Em um editorial do Financial Times, o antropólogo israelense Yuval Noah Harari afirma que "a epidemia pode ser um marco decisivo", pois "o recurso a instrumentos maciços de vigilância" expõe os cidadãos a um controle cada vez mais intrusivo.

Na Argélia, um ano após o início de um movimento de protesto popular sem precedentes, a emergência da pandemia acabou, ao menos temporiamente, com os protestos semanais, mas não com a máquina judicial, como temem as ONGs.

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