Economia

Cesta básica em Piracicaba temalta de 0,90% em março

Guerra afeta produção de combustíveis, impacta no frete e eleva preços dos alimentos na região de Piracicaba

Rogério Verzignasse
24/04/2026 às 06:44.
Atualizado em 24/04/2026 às 06:44
Orientação é para que consumidor priorize produtos em queda; frutas e legumes da estação ajudam a reduzir gastos (Mateus Medeiros/ Gazeta de Piracicaba)

Orientação é para que consumidor priorize produtos em queda; frutas e legumes da estação ajudam a reduzir gastos (Mateus Medeiros/ Gazeta de Piracicaba)

O preço da cesta básica teve alta de 0,90% em março na região de Piracicaba, principalmente devido ao aumento do custo do frete. A guerra travada desde fevereiro no Oriente Médio prejudicou sensivelmente o mercado internacional do petróleo, com efeitos negativos na produção e na distribuição de combustíveis. Assim, os alimentos ficaram mais caros. A tendência de estabilidade, observada ao longo de todo o ano, chegou ao fim, e as projeções para os próximos meses não são otimistas.

A variação foi constatada pela equipe de economistas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia), da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Os alimentos representam 84,91% do preço total da cesta. A análise considera também as despesas das famílias com material de limpeza doméstica e higiene pessoal.

Nestes dois itens, o Cepea registrou queda de 2% nos produtos de limpeza doméstica, enquanto o material de higiene pessoal teve alta de 0,54%. O preço final da cesta básica mais barata em Piracicaba ficou em R$ 1.201,38, enquanto a mais cara chegou a R$ 1.469,32, uma diferença de 22,30%.

A velha e boa pesquisa
O economista Carlos Vian, da equipe de pesquisadores, explicou que as análises consideram os preços praticados em março por estabelecimentos do varejo e do atacarejo. Logo, a pesquisa de preços e a relação de ofertas em cada local podem representar uma diferença considerável nos gastos.

Segundo o professor, é impossível fazer projeções sobre as variações futuras, já que o cenário da guerra é imprevisível. O mercado responde positiva ou negativamente conforme os acontecimentos diários. A certeza, no entanto, é que os custos da cesta seguirão em alta mesmo que se chegue a um acordo de paz imediato. “Toda a estrutura de produção ficou comprometida, precisa ser reconstruída, e isso leva tempo”, afirmou.

Quem mais lamenta a conjuntura internacional é o governo brasileiro, que até o início do conflito comemorava a estabilidade dos preços dos produtos analisados. Para se ter uma ideia, o valor total da cesta havia registrado redução de 3,58% desde março do ano passado, representando economia de R$ 50,52 por compra. Mas a guerra mudou a situação.

A análise de dados disponibilizada em março pelo Cepea confirma que, no encerramento de um ano, a alta dos alimentos variou entre 6,40% (linguiça toscana) e 24,78% (cebola, a maior vilã da cesta). No mesmo período, apenas arroz, farinha de mandioca e alho tiveram redução.

O pacote de arroz tipo 1, essencial na mesa do brasileiro, caiu 9,06% entre fevereiro e março deste ano, passando de R$ 21,19 para R$ 19,27. Ao longo da série, o preço apresentou trajetória de queda após março de 2025. Na comparação anual, o valor atual está 37,88% mais baixo que o registrado em março de 2025. “O arroz é um exemplo claro de como as famílias podem ganhar. Basta comprar mais, ter um estoque maior na despensa. Isso representa economia”, destacou Vian.

Já a carne de primeira teve acréscimo de 5,77% de fevereiro para março de 2026, passando de R$ 51,83/kg para R$ 54,82/kg, com oscilações distintas ao longo do período e elevação no início deste ano.

Para o professor, cabe ao consumidor uma postura cuidadosa no mercado, privilegiando a compra de produtos em viés de baixa. No caso das frutas e legumes, a busca por itens da estação pode fazer grande diferença na conta final.

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