
Bispo de Piracicaba, dom Devair Araújo: ‘A fé nos educa a olhar a realidade com profundidade’ (Divulgação)
O novo ano começa com um desafio importante para quem vive a fé e tem compromisso com a felicidade dos semelhantes. O brasileiro não pode se deixar afetar pela polarização política, que constrói inimigos e despreza valores humanos.
A mensagem é do bispo diocesano de Piracicaba, dom Devair Araújo da Fonseca. Procurado pela Gazeta, ele enviou uma reflexão não apenas aos católicos, mas a todos os cidadãos que, dentro de suas respectivas crenças, precisam ter consciência de que o respeito à opinião alheia é a base de uma sociedade saudável.
A vida humana, afirma, não pode ser resumida a disputas, rótulos e antagonismos. “A fé nos educa a olhar a realidade com profundidade. As pessoas são maiores que suas escolhas ou suas opiniões e todas, igualmente, merecem ser ouvidas”, destacou.
Para o bispo, a polarização política ocupa hoje o centro dos debates, simplificando questões complexas e empobrecendo o diálogo. Ele compara a situação a uma propaganda de televisão, que dita comportamentos e estabelece o que deve ser consumido, sem dar espaço para visões discordantes.
“Toda a realidade passa a ser interpretada a partir de lados radicalmente opostos. O outro lado deixa de ser visto como uma pessoa de opinião própria, para ser encarado como um adversário. Isso gera cansaço e fragmentação social”, resume.
Segundo dom Devair, é fundamental recuperar o olhar humano sobre as questões, debatendo o que é bom para a coletividade. “Quando se deixa de ter olhar humano, quando se perde de vista o bem comum, a política deixa de ser serviço para se tornar dominação. A sociedade corre o risco de substituir o cuidado pelo confronto permanente”, analisa.
Ao falar de esperança no Ano Novo, o bispo reforça que o futuro feliz não será pela vitória de um lado sobre o outro, mas pela conversão do coração e pela maturidade nas relações sociais. “O semelhante não pode ser visto como ameaça. A vida pública precisa ser espaço de defesa dos interesses de todos, e não uma forma de instrumentalização”, conclui.