Publicado 29 de Agosto de 2021 - 12h25

Por Do Correio Popular

Richard Roundtree é John Shaft, o detetive casca-grossa que protagoniza Shaft (Gordon Parks, 1971), filme que marca o retorno às atividades presenciais do Cineclube Terracota

Divulgação

Richard Roundtree é John Shaft, o detetive casca-grossa que protagoniza Shaft (Gordon Parks, 1971), filme que marca o retorno às atividades presenciais do Cineclube Terracota

Fundado em abril de 2017, o Cineclube Terracota se mostra um dos espaços de cinema mais persistentes dos últimos anos na cidade. Instalado em Barão Geraldo, em sua curta existência, ele exibiu quase duzentos filmes, de dezenas de países, atraindo um público qualificado às suas instalações peculiares. Sim, pois esse espaço de cinema em nada se parece com as grandes (ou pequenas) salas de exibição a que estamos acostumados.

Talvez tudo tenha a ver com o modo como o cineclube tenha surgido, como conta o seu criador, Delfin, também editor de arte do Correio Popular. “Em 2017, eu era curador eventual de mostras temáticas de cinema no Sesc Campinas. Numa reunião de amigos, em uma pizzaria de Barão, uma das pessoas à mesa, a Máyra Gatti, sugeriu que fizéssemos sessões de cinema no distrito. O Henrique Sá Earp, um dos sócios do Terracota, um coworking da região, olhou para mim e deu carta branca para que eu fizesse algo a respeito em seu espaço. Corri como um doido e, em uma semana, o cineclube estava operacionalizado”, lembra.

Eduardo Belluzo, membro do conselho curador do Terracota, relata que toda a operação, nas primeiras exibições, tinham ar de mistério: “Apenas um grupo seleto de amigos era convidado, pois o espaço físico originalmente comportava pouco mais de vinte pessoas. Chegando lá, a brincadeira de todos era adivinhar que filme seria exibido, pois o Delfin fazia questão absoluta que as obras programadas fossem um segredo. Quem fosse ao cineclube deveria ir pelo amor ao cinema, não por gostar de um filme ou gênero específico.”

Essas sessões, chamadas Sessões Secretas, tornaram-se a marca registrada do local e de seu, à época, único curador. A partir de 2018, porém, curadores convidados começaram a programar ciclos temáticos. A primeira dessas pessoas, Maria Clara Gonçalves, acabou se tornando co-curadora do espaço, trazendo novas ideias e consolidando a abertura do Cineclube Terracota para o público em geral, sempre sem a cobrança de ingressos.

“A gente acredita que o cineclube é um espaço de encontros, de afetos, um lugar seguro para nos encontrarmos e trocarmos ideias e experiências. Por isso mesmo, antes e depois de cada sessão, incentivamos o bate-papo e a interação entre as pessoas que vão assistir aos filmes”, conta Maria Clara, que também reforça o ecletismo da curadoria dos filmes: “A gente passa de tudo por aqui! Isso é o melhor dessa experiência. Além, é claro, da piscina.”

Sim, você leu direito. A sala de exibição principal do Cineclube Terracota é ao ar livre, à beira de uma piscina a qual, não raro, o público utiliza para ver filmes de um modo único. Quando chove, a exibição é transferida para uma área coberta, mas também ao ar livre, o que oferece ao público espectador uma experiência diferenciada. Ou melhor oferecia: dias depois da suspensão das atividades das universidades devido à então nascente pandemia de covid-19, o cineclube também suspendeu suas atividades presenciais.

“O mais difícil para nós foi não termos mais a proximidade física das pessoas, já que essa relação íntima entre o público e o cineclube sempre foi um de nossos diferenciais”, conta Delfin. “Quebramos a cabeça, eu e a Maria, para não ficarmos totalmente parados. Isso nos fez criar, por todo o ano passado, as Sessões Virtuais. Mas o formato claramente é desgastante para o público e isso nos fez tomar a decisão de que, em 2021, apenas retornaríamos se fosse em um ambiente presencial.”

Contemplado pela chamada pública municipal relativa à Lei Aldir Blanc, o Cineclube Terracota, como tantos outros pontos de cultura de Campinas, pode se reestruturar e se preparar para o retorno das atividades com público quando houvesse segurança suficiente, no julgamento do conselho curador. E isso acontece a partir da próxima quarta-feira, 1° de setembro, com sessões semanais, sempre às 20 horas.

Nesta temporada, o cineclube fez uma parceria com o espaço Goma, também de Barão Geraldo, para abrigar a série de exibições, mantendo o mesmo espírito de sua sede original: ser um cinema ao ar livre. “Trazer o público de volta será um desafio, pois não sabemos ainda como ele irá reagir neste retorno às atividades presenciais. Temos, é claro, a grande vantagem de nossas exibições serem ao ar livre, inclusive no novo espaço de exibição”, explica Belluzo.

A segurança do público está resguardada ao máximo. Além da aferição de temperatura, o público que quiser assistir aos filmes terá, obrigatoriamente, de apresentar a carteirinha de vacinação para a covid-19, com pelo menos uma dose já tomada e a segunda agendada. “Não existem protocolos infalíveis, como já percebemos. Acreditamos que isso é o mais seguro para nosso público. É nosso modo de dizer que, sim, continuamos nos preocupando com cada pessoa que visita o cineclube”, enfatiza Delfin.

Todos os meses, diversas faixas de curadoria serão ofertadas aos cinéfilos: Sessões Clássicas, sempre com um filme aplaudido pelo público e pela crítica; Sessões Indies, com o melhor do cinema independente mundial; Sessões Secretas, filme revelado apenas minutos antes do início da exibição; Sessões Nacionais, com filmes brasileiros selecionados com critério; e as Sessões Raras, exibidas apenas nas quintas semanas de cada mês, com filmes que o amante de cinema não encontra tão facilmente disponíveis para apreciação.

O filme que abre os trabalhos desta temporada é Shaft, película de 1971 que é um dos melhores exemplos do que se convencionou chamar blaxploitation (o cinema negro estadunidense dos anos 1970). Vencedor do Oscar de melhor canção de 1972 com o tema composto por Isaac Hayes, o filme acompanha o detetive John Shaft em sua busca pela filha de um criminoso raptada pela máfia. A obra tornou-se um sucesso tão grande que teve duas continuações, uma série de tevê e um reboot recentíssimo, com Samuel L. Jackson.

No entanto, é bom lembrar: ainda não vivemos a normalidade. Por isso, a lotação do cineclube, por ora, é limitado a apenas 30 pessoas por sessão.

Programação de setembro

1° de setembro

Sessões Clássicas: Shaft (Gordon Parks, 1971)

8 de setembro] 

Sessões Indies: Projeto Flórida (Sean S. Baker, 2018)

15 de setembro

Sessões Secretas: o filme será revelado apenas minutos antes do início da sessão

22 de setembro

Sessões Nacionais: O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (Glauber Rocha, 1969)

29 de setembro

American Pop (Ralph Bakshi, 1971)

Acompanhe regularmente as novidades do Cineclube Terracota pelo Instagram: @cineclubeterracota

ANOTE

Cineclube Terracota em Goma (Av. Santa Isabel, 518 - Barão Geraldo - Campinas)

Todas as quartas-feiras, sempre às 20h

Ingressos gratuitos limitados às primeiras 30 pessoas. É obrigatório apresentação de comprovante de vacinação contra covid-19

Escrito por:

Do Correio Popular