Publicado 19 de Setembro de 2021 - 8h57

Por Do Correio Popular

Em entrevista ao nosso jornal, publicada na edição de hoje, o maestro Victor Hugo Toro, regente da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, revelou um sonho que ele não viu se concretizar durante os dez anos em que esteve à frente da instituição musical campineira, mas que bem poderia se transformar em uma política pública municipal, com o apoio da iniciativa privada, a ser construída nos próximos anos.

O sonho de Toro era o de ver Campinas sediar um grande festival de ópera com a execução da obra do maestro Carlos Gomes. Para o regente chileno, a ideia de transformar a cidade em um polo tecnológico é válida. Agora, mais do que isso, para ele, esse mesmo entusiasmo em fazer da cidade uma espécie de Vale do Silício deveria ser canalizado ao setor cultural, uma vez que o município reúne, na sua visão, todas as condições para se transformar em um grande centro cultural do país, com projeção internacional.

Como exemplo, o regente citou o festival de ópera de Verona, na Itália, que reúne milhares de pessoas durante o verão europeu. São mais de 50 noites de ópera, com um público de 25 mil pessoas por noite, e as entradas se esgotam muito rapidamente. Para o maestro, seria perfeitamente possível desenvolver um projeto semelhante em Campinas, que, segundo ele, dispõe de recursos, vontade, vínculo, capacidade e qualificação para tornar realidade um projeto dessa envergadura.

Durante séculos, o Império Romano dominou militarmente e politicamente as mais longínquas terras no mundo conhecido de então. Quase todos os povos sucumbiram ao imenso poderio romano, exceto um: o da Grécia Antiga. No entanto, essa resistência não se deu pelas armas, mas pela disseminação de uma cultura riquíssima, que se impôs sobre a cultura prosaica romana, em um processo de aculturação que levou Roma a absorver parte da cultura grega.

Com o desligamento da Sinfônica planejado para o final do ano, caberá agora à Secretaria de Cultura dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo maestro, sem, contudo, ignorar a experiência acumulada durante anos de trabalho à frente da orquestra.

A ideia sugerida pelo maestro de fomentar um polo cultural na cidade, aproveitando as características favoráveis ao desenvolvimento de um projeto voltado para esta área, deverá atrair novos investidores. Com a reforma do Teatro de Arena, no Centro de Convivência, cujas obras estão em andamento, o sonho do maestro Toro poderá se tornar uma realidade.

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