Publicado 19 de Setembro de 2021 - 9h01

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Hoje comemora-se o centenário de Paulo Freire. Há exatos 100 anos, nascia o brasileiro que se tornaria uma referência mundial em educação. A afirmação não se trata de um exagero ufanista. Paulo Freire é um dos acadêmicos mais citados no mundo em trabalhos na área de humanas e educação e recebeu o título de Doutor Honoris Causa em 29 universidades de diferentes países.

Alfabetização

Na década de 60, quase 50% da população brasileira era analfabeta, Paulo Freire propôs um experimento na cidade de Angicos (Rio Grande do Norte): alfabetizar cortadores de cana.

Em 1963, alfabetizou cerca de 300 trabalhadores adultos em apenas 45 dias, com um método próprio de ensino, em que o educador se aproxima da realidade do aluno.

FRASE

"Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção."

Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira

Método Paulo Freire

O sucesso da empreitada fez com que o governo brasileiro adotasse o método em seu Plano Nacional de Alfabetização, previsto para promover a alfabetização em massa da população. O plano foi financiado pelo Aliança para o Progresso, projeto do governo norte-americano cujo objetivo era o de combater o comunismo. O plano foi interrompido pelo Golpe de 1964 e o material foi abolido, por ser considerado perigoso para a estabilidade social desejada na época.

Educação e economia

E o que educação tem a ver com economia? Tudo! A educação, como entendida por Paulo Freire, não é a simples transferência de conteúdo, através de codificação e decodificação. O real objetivo da educação é desenvolver no aluno a capacidade de pensamento autônomo e crítico. A educação é ingrediente necessário para que possamos ter desenvolvimento e crescimento econômico.

Determinantes do desenvolvimento

Entre os diversos componentes que podem determinar o desenvolvimento de uma nação, o crescimento econômico é um dos fundamentais, pois se não houver crescimento de renda, não existirão recursos financeiros disponíveis para serem aplicados nas outras áreas prioritárias do desenvolvimento, como educação, saúde, cultura, etc.

Crescimento econômico Segundo os modelos contemporâneos de desenvolvimento, os fatores que determinam o crescimento econômico podem ser divididos em fatores estruturais e comportamentais. O principal fator estrutural é o investimento em conhecimento, que cria inovações que permitem ganhos de produtividade e avanços tecnológicos.

Mudança tecnológica

As teorias neoclássicas de desenvolvimento destacam a importância da mudança e do avanço tecnológico para a promoção do crescimento econômico. Para crescer de maneira sustentável, não basta simplesmente produzir mais, pois a produção em maior quantidade requer também o emprego de recursos em maior quantidade: mais matéria-prima, mão de obra, máquinas, etc.

Mudança tecnológica 2

Quando existe ociosidade na economia, não há problema nenhum em crescer dessa forma. Mas e quando não existir ociosidade e a economia estiver rodando em pleno emprego, como crescer? A partir daí, para poder crescer de maneira sustentável, só através das inovações que irão garantir ganhos de produtividade. Ou seja, aumentar a produção, consumindo os mesmos recursos.

Investimento em educação

Para conseguir fomentar a transformação tecnológica, é necessário investir em conhecimento, investir em capital humano. São as pessoas que pensam, formulam novas ideias e criam as inovações que transformam o mundo e também transformam a economia. A educação é a alma de um país e condição fundamental para o desenvolvimento e o crescimento sustentável.

Cidadania e competitividade

Paulo Freire era preocupado com as questões sociais brasileiras e percebeu a direta relação entre pobreza e baixa escolaridade. Essa relação é válida tanto para indivíduos, como para países inteiros. A educação traz cidadania para as pessoas e competitividade para os países. A contribuição de Paulo Freire para educação brasileira deve ser sempre respeitada. Isso é civilidade, não politização.

Escrito por:

Estéfano Barioni/ Correio Popular