Publicado 18 de Setembro de 2021 - 8h40

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Enquanto os preços dos combustíveis não param de subir aqui no Brasil, o preço do petróleo no mercado internacional continua pressionando e está nos patamares mais altos desde os últimos 14 meses. Somente na última semana, o preço do petróleo subiu quase 7%, saindo de cerca de US$ 70,00 para a faixa dos

US$ 75,00 por barril.

Estoques nos EUA

A subida desta semana ocorreu depois que a agência de energia dos Estados Unidos divulgou os dados de estoque de petróleo das empresas norte-americanas. A divulgação é feita semanalmente e mede a variação da quantidade de petróleo bruto estocado pelas empresas norte-americanas, servindo como um indicador da demanda por esse energético essencial para

a economia.

FRASE

"O que é conjuntural, a Petrobras absorve e procura entender ao máximo possível essa lógica de mercado."

Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras

Estoques e demanda

Se o volume de estoque aumenta, é sinal de redução na demanda e as perspectivas são de que o preço do petróleo caia. Ao contrário, se o volume estocado cai, é sinal de demanda aquecida e, especialmente, de maior demanda dessas empresas no futuro, e a expectativa de consumo faz com que o preço do petróleo suba.

Estoques nos EUA

Nesta semana, houve uma redução significativa dos estoques de petróleo nos Estados Unidos, de mais de 6,4 milhões de barris. O mercado já esperava uma redução de cerca de 3,5 milhões de barris, mas o dado real surpreendeu e a queda nos estoques superou a expectativa em mais de 80%. Com a divulgação dessa informação, o preço do barril de petróleo saltou 2,5% em um único dia.

Furacão Ida

Já é a sexta semana consecutiva em que os estoques de petróleo nos EUA caem, alcançando agora o menor nível dos últimos dois anos. Um dos motivos para a redução foi a interrupção da produção de várias refinarias no Golfo do México, devido à passagem do furacão Ida. A estrutura de produção local ainda não se restabeleceu plenamente.

Preços e estoques

Além disso, o próprio preço do petróleo em alta acaba contribuindo para a redução dos estoques, em um processo que se autoalimenta. Como o petróleo está relativamente caro, a tendência é de redução de estoques, pois o investimento em capital de giro começa a aumentar muito. Então, os estoques vão sendo reduzidos a um mínimo estratégico. O nível dos estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos tem caído consistentemente desde o final de março deste ano.

Comparação

No mês de abril de 2018, o petróleo estava nessa mesma faixa de preços de US$ 75,00/barril, em uma tendência de aumento parecida com a atual, tomando como referência os últimos seis meses. Então, podemos utilizar esse período para comparar com o momento atual e a relação de preços do litro da gasolina com o litro de petróleo.

Preço da gasolina

Em abril de 2018, o litro da gasolina comum estava sendo vendido a um preço médio de R$ 4,01 nos postos de Campinas. A taxa de câmbio de então fazia o dólar valer R$ 3,48. Dessa forma, realizando as conversões de moeda e de unidade de volume, o preço do litro da gasolina nos postos era 144% maior do que o preço do petróleo.

Preço da gasolina 2

O litro da gasolina comum terminou o último mês de agosto sendo vendido a um preço médio de R$ 5,71 nos postos de Campinas. A taxa de câmbio atual é de R$ 5,26 por US$ 1,00. Novamente, realizando as devidas conversões de moeda, encontramos que o preço da gasolina nos postos atualmente corresponde a um valor 130% maior do que o preço do litro do petróleo.

Pressão nos preços

Dessa forma, a pressão sobre os preços dos combustíveis deverá continuar. O presidente da Petrobras afirmou, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que a empresa não repassa oscilações pontuais do preço internacional do petróleo para o preço da gasolina. Resta saber o que é considerado oscilação pontual, na visão do presidente da Petrobras, e o que é entendido como estrutural.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular