Publicado 18 de Setembro de 2021 - 9h08

Por Mariana Camba/ Correio Popular

O casal Eloísa Maciel e Maiko Alves : paixão clubística diferente não interfere na harmonia da relação, nem mesmo em dia de Dérbi

Diogo Zacarias

O casal Eloísa Maciel e Maiko Alves : paixão clubística diferente não interfere na harmonia da relação, nem mesmo em dia de Dérbi

O nervosismo e a ansiedade tomaram conta dos pontepretanos e bugrinos ontem. Nas horas que antecederam o jogo o clima de rivalidade era perceptível na cidade, com torcedores estampando suas paixões em camisas e bandeiras pelas ruas de Campinas. Enquanto alguns dos amantes do Guarani se concentraram em frente a um hotel localizado no Cambuí, onde os jogadores do time estavam hospedados, parte dos apaixonados pela Ponte Preta ficou na Avenida José de Souza Campos, para aguardar a chegada do ônibus que levava a equipe. O orgulho de cada um pelo time representante era visível, algo que vai além da emoção. Para eles, o duelo marca a principal rivalidade dos clubes, em que não há outra opção a não ser ganhar.

Enquanto as torcidas esbanjavam otimismo e garra, os demais moradores de Campinas presenciaram a união dos grupos em prol de um amor maior. Para quem ficou em casa a sensação foi diferente, mas não menos importante. O torcedor do Bugre Murilo Poli Batistel garantiu que não é a mesma coisa torcer fora do campo, mas o nervosismo não mudou. "No estádio tem festa. São milhares de pessoas gritando juntas. A energia da torcida acalma a gente. Em casa a apreensão é a mesma, mas sem aquele clima efervescente", comparou.

Nos bares, os encontros foram confirmados com gritos de guerra que contagiaram a todos. Enquanto os grupos se uniam nas ruas, os motoristas passavam e acenavam. Campinas parou durante o Dérbi para viver o clássico. Segundo o pontepretano Fernando Tornizielo, quando a Macaca joga contra o seu principal rival o embate é diferente, se comparado com outras partidas. "Vou ao estádio, vou atrás do ônibus. Volto a ser moleque. A emoção é grande demais. A gente vibra junto", declarou. Não é apenas o dia do jogo que fica diferente. Segundo ele, durante a semana que antecede o clássico, o sono some e tudo passa em câmera lenta.

O pontepretano Fernando Tornizielo e seu filho: amor pela Macaca

A tradição dos duelos vitoriosos foi mantida, para ninguém dar sopa ao azar. O apaixonado pela Macaca, Thomas Vinhas, realizou o mesmo ritual que faz antes de cada Dérbi para não correr riscos. "Em dia de clássico eu e os meus amigos fazemos galinhada e churrasco para embalar a partida. A cor verde é proibida. E regamos o dia com cerveja e gritos de guerra", contou. É unanimidade entra as torcidas que o Dérbi é um campeonato à parte. Por isso a tensão também ganha outra proporção.

Para o casal de irmãos bugrinos Gabriel e Ana Júlia Chefaly, a família tem que estar reunida para torcer junto. De acordo com eles, a paixão pelo time chegou sem explicação. "A nossa rivalidade com a Ponte é histórica. Acredito que seja o maior antagonismo do Brasil. Paramos tudo para acompanhar o jogo. Vale até sinalizador dentro de casa para festejar a vitória", vibrou. Eles aguardaram a saída da equipe do Guarani ontem, do hotel em que os jogadores estavam hospedados. Para os irmãos, a pressão causada pelo Dérbi é inexplicável.

O casal de irmãos bugrinos Gabriel e Ana Júlia Chefaly: torcida verde

O estádio Moisés Lucarelli, no início da noite de ontem, estava cercado por torcedores pontepretanos quando o ônibus da Macaca chegou. A torcida ovacionou a Ponte Preta com veemência. O ônibus onde estavam os jogadores do Bugre entrou no estádio por outro portão. As equipes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), da Guarda Municipal e da Polícia Militar, com o auxílio dos agentes da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) garantiram a segurança do entorno.

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Mariana Camba/ Correio Popular