Publicado 18 de Setembro de 2021 - 9h03

Por Da Redação do Correio Popular

O professor de inglês Mario Godoy diz que não se sentiria à vontade para marcar encontro com alguém que é contra a vacina da covid-19

Diogo Zacarias

O professor de inglês Mario Godoy diz que não se sentiria à vontade para marcar encontro com alguém que é contra a vacina da covid-19

A pandemia de covid-19 mudou completamente a vida social de todo mundo. O longo período de isolamento para impedir a disseminação do coronavírus foi afrouxado, mas continua impactando a dinâmica das relações afetivas, especialmente de quem é solteiro. Ainda sem poder retomar na plenitude os programas que permitem conhecer novas pessoas, muitos brasileiros recorrem aos aplicativos de relacionamento como alternativa para eventuais matchs. Se a paquera ainda não pode acontecer pessoalmente, o ambiente virtual é o caminho mais seguro para quem não quer seguir na vida solo.

O uso de aplicativos desse gênero não é exatamente uma novidade. O fato novo é que os usuários estão cada vez mais preocupados com os cuidados de saúde que a outra pessoa está tomando no contexto da pandemia. A prova disso é que uma pesquisa do aplicativo Inner Circle (Círculo Íntimo, em tradução direta) mostra que 69,6% dos usuários brasileiros adicionariam no perfil da rede a informação de que já foram vacinados contra o vírus. O levantamento aponta ainda que 69,2% gostariam que os outros também informassem se já foram imunizados.

Para o professor de inglês Mario Godoy, de 28 anos, as informações contidas na bio dos perfis, que é o espaço destinado a uma pequena descrição sobre quem é o usuário, são essenciais na hora de estabelecer uma conversa com alguém. Morador de Campinas, Godoy revela que o isolamento da pandemia o levou a procurar por plataformas virtuais, inclusive aplicativos de relacionamento.

"A pandemia mudou tudo. Eu recorri aos meios digitais como Zoom e Skype para conversar, além dos aplicativos de relacionamento para conhecer novas pessoas. Então, eu acho legal ter essa informação sobre ter sido vacinado no perfil. Isso me tranquilizaria para um possível encontro pessoalmente no futuro", reconhece o professor. A pesquisa do Inner Circle também constatou que 90,9% dos usuários da rede 'esperam ansiosamente pela vacinação', uma vez que possibilitaria o retorno das atividades presenciais com maior segurança.

Godoy concorda com esse grupo de pessoas. Segundo ele, quem leva o isolamento e a doença a sério "está de fato" há bastante tempo sem poder ter um encontro pessoalmente. "Eu tenho uma grande expectativa e admito que estou esperando ansiosamente por uma vacinação mais ampla. Não é só pelas relações afetivas, mas voltar a ter vida social e ver os amigos", explica.

O levantamento do aplicativo mostrou ainda que 62,3% dos participantes disseram que já teriam um encontro com alguém após serem vacinados, independentemente da outra pessoa não ter tomado a vacina e que 45,3% não teriam encontros com alguém que é antivacina, ou seja, aquelas pessoas que não vão tomar nenhum imunizante.

O professor de Campinas também rejeita essa possibilidade. Godoy acredita que a questão do isolamento social e dos cuidados sanitários "vai além da relação afetiva, é uma responsabilidade social". De acordo com ele, não há justificativa para alguém ser contrário às vacinas. "De jeito nenhum quero encontrar uma pessoa antivacinas. Elas foram testadas por órgãos de saúde do mundo inteiro, que confirmaram que são eficazes. Existe informação de sobra para a pessoa pesquisar e para mim é muita ignorância não se vacinar", critica.

A professora de psicologia da UniMetrocamp, Ariane Bizzarri, 33, aponta que os aplicativos de relacionamento podem ser um "aliado" para quem é solteiro e/ou mora sozinho. De acordo com ela, o isolamento da pandemia de covid-19 trouxe a necessidade de as pessoas exercitarem a habilidade social.

"É importante destacar que de um modo geral as pessoas querem se relacionar e isso está diretamente ligado com algo que chamamos de habilidade social, que é que como um indivíduo expressa seus sentimentos e desejos de uma forma que respeite o outro. Por isso, os aplicativos são uma excelente maneira de a pessoa desenvolver sua habilidade social", defende a psicóloga, que é especialista em neuropsicologia.

Ainda segundo Ariane, é importante que a pessoa tenha "clareza" do que procura nos aplicativos. "As relações saudáveis se baseiam na troca. É preciso conhecer mais o outro por conversas antes de partir para um encontro pessoal. Com a pandemia, inevitavelmente veio essa preocupação em relação aos cuidados com a saúde e a vacinação", destaca. Por fim, a psicóloga acredita que o isolamento social provocou também uma mudança na forma como os usuários se relacionam no ambiente virtual. "A realidade exige que a pessoa faça o que tem ao seu alcance, com buscas mais realistas dentro desse universo de aplicativos. Acredito que o momento exige menos velocidade e imediatismo, pois as relações pedem um pouco mais de tempo e calma", finaliza.

Escrito por:

Da Redação do Correio Popular