Idair Rizzolo, 88 anos, já entregou 600 peças à Santa Casa de Piracicaba desde 2018
Idair Orsi Rizzolo lidera projeto iniciado há 18 anos que doa peças de croches a recém-nascidos internados (Divulgação)
Linhas coloridas, agulhas de crochê e muita dedicação. É com esses elementos que Idair Orsi Rizzolo, de 88 anos, moradora de Águas de São Pedro, transforma carretéis de fio em polvos artesanais destinados aos recém-nascidos internados na UTI Neonatal da Santa Casa de Piracicaba. O projeto, que começou em 2018 a partir de uma conversa entre amigas, já resultou na doação de cerca de 600 peças à unidade hospitalar.
Os polvos de crochê não são apenas objetos decorativos. Originária de uma campanha internacional, a iniciativa parte de uma descoberta clínica: os tentáculos da peça imitam o cordão umbilical e, ao serem colocados junto aos bebês prematuros, proporcionam sensação de aconchego, contribuem para a estabilização dos sinais vitais e reduzem a agitação dos recém-nascidos. Para que possam ser utilizados com segurança na UTI, os polvos seguem um protocolo rigoroso de confecção — medidas padronizadas, materiais específicos e higienização adequada antes de cada entrega.
A história de Idair com o projeto começou de forma simples. "O nosso projeto teve início em 2018, após eu me reunir com algumas amigas para um café da tarde e uma delas comentar sobre a existência dessa campanha dos polvinhos para as crianças recém-nascidas", conta. Movida pela proposta, ela reuniu cinco amigas e passou a organizar encontros semanais às quintas-feiras em sua casa para a confecção das peças.
A pandemia da Covid-19 interrompeu as reuniões e, com o retorno gradual à rotina, o grupo se reorganizou de forma diferente. Algumas integrantes precisaram deixar a campanha. Hoje, Idair divide o trabalho com outras duas voluntárias: Maria Neuza, de São Pedro, responsável pelos tentáculos, e Elizabeth, de São Paulo, que confecciona os olhos. Idair fica encarregada da cabeça e dos acabamentos finais. As peças chegam até ela por correio ou por retirada presencial, e a montagem final é feita em Águas de São Pedro.
Para manter o projeto ativo, Idair realiza campanhas de arrecadação de linhas junto a amigos e familiares, enquanto Elizabeth angaria recursos por meio de bingos com amigas. Após prontos, os polvos são enviados à Santa Casa de Piracicaba. "Sempre fui muito bem recebida e o projeto reconhecido e valorizado pelo Marcos Andrade [assessor de assuntos institucionais] e toda a equipe", afirma Idair.
"O trabalho da dona Idair representa o que há de mais genuíno no voluntariado: uma entrega contínua, feita com cuidado e propósito. Cada polvo que ela nos traz carrega horas de dedicação e chega até nós com todo o protocolo necessário para ser utilizado com segurança na UTI Neonatal. Para os bebês prematuros e suas famílias, que vivem um dos momentos mais difíceis da vida, saber que existe alguém disposta a oferecer esse cuidado, mesmo a distância, tem um valor que vai muito além do objeto em si", ressalta Marcos Andrade.
Para ela, a motivação vai além do gesto concreto. "Somos muito felizes em poder contribuir com esses bebês em um momento tão delicado e especial de suas vidas e de suas famílias", diz.