EM CAMPINAS

Vereador quer acabar com toda a Sinfônica

Segundo o parlamentar, é preciso buscar um modelo diferente

Maria Teresa Costa
teresa@rac.com.br
12/12/2017 às 10:29.
Atualizado em 19/04/2022 às 01:04

Terça-feira, 12 de dezembro de 2017 A Orquestra Sinfônica de Campinas, com seus 88 músicos, custa mensalmente à Prefeitura R$ 1,01 milhão em salários, contribuição previdenciária, vale-alimentação e vale-transporte. Para o vereador Paulo Galtério (PSB), que teve acesso aos custos por meio de requerimento à Administração, isso equivale a mais de R$ 13 milhões anuais, incluindo o 13º salário, um luxo, segundo ele, diante da crise financeira que a cidade vive. “A cidade tem que repensar esse desperdício e ver se Campinas precisa de uma orquestra. Eu defendo que é um luxo que a cidade não pode arcar”, afirmou. Para o vereador, é preciso buscar um modelo diferente, no qual a orquestra possa viver de patrocínio e não pesar no Orçamento da cidade. “Este ano, por causa da crise econômica, a Prefeitura de São José dos Campos (SP) extinguiu sua Orquestra. A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) encontrou seu caminho e vive de patrocínio. Por que Campinas precisa gastar tanto dinheiro assim com os músicos?”, questionou. Galtério disse que a Secretaria de Cultura não tem R$ 2 milhões para custear o Carnaval, que atrai milhares de pessoas às ruas e nem para fazer a decoração de Natal, “mas gasta essa fortuna com uma Orquestra”. Os salários dos 33 vereadores, segundo ele, custam à cidade um terço do custo da Orquestra. “Trinta e três vereadores custam menos que uma orquestra. Com o que gastamos com a Sinfônica daria para construir 600 casas populares por ano. Isso tem que ser repensado. A cidade não pode arcar com um gasto assim, especialmente nessa crise". A tabela de custos salariais da Sinfônica circulou nesta segunda-feira (11), nas redes sociais, e provocou reações indignadas de muitas pessoas com os valores da folha de pagamentos. Na tabela, um dos casos que chama a atenção é para o item denominado “Orquestra de Corda 1 Tut 2 Violino”, que entre salários, recolhimento do Camprev, INSS e vale-alimentação e vale-transporte custa R$ 67 mil. Nas redes sociais, esse valor foi bastante atacado por pessoas que consideram alto demais um violinista receber R$ 67 mil. O secretário de Cultura, Ney Carrasco, reagiu. “Um violinista custar R$ 67 mil é realmente inadmissível, mas mais absurdo foi divulgar o valor sem explicar do que se trata. Esse valor não é de um violinista, mas de uma categoria, formada por seis violinistas. Não é custo individual, mas de uma categoria. Todo mundo sabe que na Prefeitura existe um teto salarial, que é o do prefeito. Ninguém pode ganhar mais que ele”, afirmou. Na Orquestra, o maior salário é o do maestro Victor Hugo Toro, diretor-artístico. Na tabela, o custo global com salário, previdência e benefícios aparece R$ 26,1 mil. Ele é o maior salário, e recebe, bruto, cerca de R$ 19 mil, segundo o secretário. Ataque injusto Para Carrasco, a divulgação da tabela dá impressão falsa da realidade e é uma tentativa deliberada de denegrir a orquestra e de constranger os músicos e as famílias deles. “É um ataque injusto, de falta de reconhecimento do trabalho da Orquestra. Comparado a outras sinfônicas, gastamos pouco para ter a melhor Orquestra do País, um patrimônio cultural de Campinas”, disse. Carrasco afirmou que a divulgação da tabela sem a devida explicação de que o custo não era individual e por categoria, mostra um preconceito contra a classe artística, de pessoas que pressupõem que médico tem que ganhar bem e músico ganhar mal porque não tem significado social para muita gente, enquanto o médico tem. “Quanta gente não precisa de médico por ouvir música. A nossa orquestra custa menos do que ela devolve à cidade em prestígio, visibilidade e Cultura. Pode parecer caro mas não é. O problema é essa visão limitada intelectualmente”, disse. Para o secretário de Cultura, discutir um novo modelo de gestão sempre está na pauta, e mesmo que mude o modelo, afirmou, é absurdo questionar a existência da Sinfônica, que faz a cidade ser reconhecida nacionalmente. “O que faz a cidade ser reconhecida são seus valores simbólicos, e não os materiais. A Sinfônica é um desses valores. A Unicamp, outro. A Unicamp custa caro, mas vamos acabar com ela por causa disso, ou vamos valorizar o que ela produz de ideia, de conhecimento?”. Ele lembrou que o modelo da Osesp, sugerido pelo vereador, não liberou o Estado de custos. A Orquestra pertence a Fundação Osesp, que é privada e firma contrato de gestão diretamente com o governo do Estado.

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