Especialistas ressaltam a necessidade de difundir a a prática
Segunda-feira, 7 de maio de 2018 A adoção da chamada Vigilância Ativa (VA) no tratamento de pacientes com câncer de próstata, especificamente aqueles que apresentam tumores de menor agressividade, é uma prática que precisa ser mais difundida em Piracicaba e no Brasil. Entre outros benefícios, a VA - ou a estratégia de acompanhamento desses tumores de menor impacto maligno, por meio da realização periódica de exames físicos, laboratoriais e biópsias - preserva o paciente em relação à toxicidade de tratamentos mais radicais. Existem diferentes graus de câncer de próstata e variados tipos de tratamento, cada um com seus riscos e benefícios, salientam os urologistas Nivaldo da Silva Lavoura Júnior e Rafael Marmiroli, médicos da Clínica 'Lavoura Urologia'. Por isso, é preciso avaliar bem cada caso para tomar a decisão mais consciente e adequada no que diz respeito ao tratamento da doença. De acordo com Marmiroli, a classificação do grau de agressividade do tumor de baseia em dados clínicos (o toque retal), no exame de sangue (o PSA) e informações da biópsia. “A partir disso, médico e paciente devem decidir em conjunto qual é a melhor opção de tratamento, que varia de caso a caso”, acrescentou. Mas nem todo câncer de próstata requer tratamento radical. “A vantagem da vigilância ativa é evitar a toxicidade do tratamento, como a incontinência urinária e a disfunção erétil, que podem ocorrer em alguns casos como consequência do tratamento de radicalidade, quer por cirurgia ou por Radioterapia”, explicou Lavoura Júnior. Para cânceres de próstata de baixo risco, normalmente a abordagem mais recomendável e segura é a VA, dizem os especialistas. “Optar pela estratégia da VA não significa condenar um paciente a falecer pelo câncer, mas sim manter sua vida normalmente, com toda a segurança do controle total sobre a doença”, esclareceu Marmiroli. “A mensagem é não super tratar os casos que são insignificantes e nem subtratar os casos agressivos”, ponderou Lavoura Júnior. Estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que a incidência do câncer de próstata se dá em 30% da população masculina a partir dos 50 anos de idade. No Estado de São Paulo, a incidência da doença é de 60 a 80 casos a cada grupo de 100 mil habitantes. Estudos apontam que a doença é o principal tumor que acomete os homens, sendo a segunda causa de óbito entre eles (ficando atrás apenas das neoplasias de pele). Os médicos destacam que a VA é a primeira opção de tratamento em países desenvolvidos, e que não se trata de “algo experimental”. Segundo estatísticas, em países europeus, o índice de pacientes com câncer de próstata (localizados por meio de rastreamento ativo) que são mantidos sob VA passa dos 50%, enquanto que nos Estados Unidos chega a 40% dos casos. Os dois urologistas lembram que, atualmente, há três principais formas de tratamento do câncer de próstata: a cirurgia, feita por Via Aberta (tradicional), Laparoscópica e Robótica; a Radioterapia; e a própria Vigilância Ativa. “É importante ressaltar que até o momento não existe nenhum trabalho científico inequívoco que comprovou a superioridade de uma técnica sobre as demais”, observou Marmiroli.