Gerência de agência bancária quer a remoção de ponto de encontro de amigos
Bancos em frente ao Banco do Brasil, no Centro, são há anos o ponto de encontro de um grupo de amigos que se reúne para celebrar a amizade (Divulgação)
A Turma do Sereno existe em Piracicaba há 86 anos. São amigos de longa data - personalidades ou cidadãos comuns - que se acostumaram a marcar encontros, conversar e celebrar a amizade. Os bancos do passeio público, sob a marquise do Banco do Brasil, no Centro, sempre foram o ponto de encontro do grupo. Um deles, inclusive, faz parte do logotipo da turma.
Agora, a gerência da agência decidiu formalizar no Conseg queixas sobre a suposta presença de desocupados, usuários de drogas e arruaceiros no local. Pede a remoção dos três bancos, alegando “prejuízo à imagem institucional” do Banco. A iniciativa não se limitou à notificação: em cada reunião do conselho de segurança, os integrantes são pressionados a resolver rapidamente a questão, segundo o engenheiro aposentado e membro da Turma do Sereno, Roberto Mariconi.
Diante das denúncias, a direção da Turma do Sereno procurou os reclamantes na própria agência. José Borghesi, ex-prefeito de Piracicaba e integrante do grupo há cinco décadas, hoje presidente da turma, esteve presente. Ele afirma ter sido “tratado aos berros” e que a gerência não quis diálogo. Indignado, redigiu uma carta aberta ao público, na qual defende que as reclamações não procedem, já que o grupo sempre frequentou o espaço de forma ordeira e pacífica, sem envolvimento em arruaças. (Leia nessa página)
Além disso, Borghesi argumenta que a postura da gerência penaliza todos os cidadãos: “Trata-se de uma ação que pode ser interpretada como um processo de exclusão silenciosa do uso do espaço público, o que contraria os princípios básicos da convivência urbana e do respeito à diversidade social”, escreveu.
Para Mariconi, as queixas se confundem com o antigo problema dos moradores de rua e usuários de drogas na praça central. situação que, segundo ele, foi superada quando forças de segurança e a Administração municipal implementaram ações de acolhimento e encaminhamento para serviços de saúde e assistência social.
“Tudo o que queremos é continuar tendo o direito de encontrar os velhos amigos”, afirma. Hoje, cerca de 50 pessoas se reúnem regularmente no espaço.
A direção do Conseg ainda busca testemunhos e registros oficiais de ocorrências ilegais no passeio público que possam justificar o pedido de remoção dos bancos. A Gazeta não conseguiu contato com a gerência até o fechamento da edição.