
Campus Taquaral da Unimep (Antonio Trivelin )
Terça-feira, 27 de fevereiro de 2018 A Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) precisará, conforme decisão do TRT (Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região), reintegrar 60 professores demitidos em dezembro do ano passado. Embora a instituição tenha recorrido, o TRT “ponderou, de forma muito incisiva, que a Unimep agiu irregularmente e suas atitudes causam grande repercussão social”, conforme nota encaminhada pelo Tribunal. A decisão foi do desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto Giordani. A anulação da dispensa dos docentes havia sido anunciada, em primeira instância, no dia 14 de fevereiro. A anulação das demissões é uma antecipação de tutela, isto é, uma determinação antes do julgamento da ação. A universidade teve cinco dias para recorrer. Agora, caso não obedeça a Justiça fica sujeita a pena de multa diária de R$ 1 mil por docente. Em nota à imprensa, o reitor interino da Unimep, Fabio Botelho Josgrilberg, disse: “A Unimep já enviou ao Sinpro uma carta informando sobre o cumprimento da decisão judicial. Faremos uma revisão do orçamento para avaliarmos a necessidade de ajustes nos projetos para 2018”. A reportagem procurou mais detalhes sobre o assunto com o reitor, mas ele sinalizou que, nesse momento, o pronunciamento da instituição se resumiria à nota. As demissões ocorreram em dezembro do ano passado. O Sinpro (Sindicato dos Professores de Campinas e Região) moveu uma ação contra o Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista (IEP), que é a entidade mantenedora da Unimep. O IEP argumentava que o balanço econômico feito em setembro de 2017 aponta para a necessidade de cortar 15% dos gastos e isso incluía cortes na folha salarial. A mantenedora, desta forma, recorreu, mas o TRT não aceitou seus argumentos. A juíza do Trabalho, Bruna Stravinski, argumentou, recentemente, que as demissões não corresponderam a um “processo democrático da universidade”. Na decisão anunciada nesta segunda-feira (26), o desembargador Motta Giordani afirmou: “A priori, não se vislumbra razoabilidade nas justificativas do impetrante, que, em momento algum, noticiou cortes orçamentários em outras áreas, sendo certo que não restou demonstrada claramente, como seria de rigor, a queda das matrículas noticiada e/ou que aventa os gráficos fornecidos, ou seja, as dificuldades econômicas alardeadas pelo impetrante”. Motta ainda ponderou que a dispensa em massa sempre tem que ser vista como algo a ser evitado e muito bem avaliado, citando: “Interessante fixar que tão relevante a questão de necessidade da negociação para que se possa pensar numa dispensa coletiva que, até na China, país em relação ao qual se afirma ser mais reduzida a importância e as preocupações com os seus trabalhadores, já se reconhece e valoriza a negociação coletiva, e em Shangai existe a obrigatoriedade de negociação, em caso de dispensa coletiva...”. Recuperação O reitor interino, Josgrilberg, falou com a Gazeta na semana passada. Ele afirmou que o processo de recuperação da Unimep vai levar de dois a três anos para se consolidar. Tanto a mantenedora quanto a comunidade interna, ele disse, têm os mesmos objetivos: Educação de qualidade, com compromisso social e desenvolvimento regional, que sirva de referência. “A Igreja Metodista não saberia fazer Educação se não fosse assim. Só que estes momentos de ajustes, que são cíclicos, eles acontecem, especialmente num cenário econômico que vivemos no Brasil. Mas o legado construído pela Igreja Metodista juntamente com a população piracicabana, desde o final do século 19, esse é um mérito que ninguém tira. O que se põe em jogo no meio de uma crise é a capacidade de honrar esse legado daqui para frente. Por isso foi preciso fazer esse ajuste”, disse.