EMOCIONOU O PÚBLICO

Sobrevivente falou dos horrores do Holocausto

No Teatro Unimep, ele participou de uma reunião solene

Adriana Ferezim
27/04/2017 às 10:25.
Atualizado em 28/04/2022 às 03:27
Thomas Venetianer veio para o Brasil, com os pais, em 1948 (Del Rodrigues)

Thomas Venetianer veio para o Brasil, com os pais, em 1948 (Del Rodrigues)

Quinta-feira, 27 de abril de 2017 O testemunho de Thomas Venetianer, que, em março de 1944, com apenas sete anos de idade, foi levado pela Gestapo (a Polícia secreta alemã) ao campo de concentração de Terezín, na República Tcheca, com a mãe, onde ficou até maio de 1945, depois de ser separado do pai - que quase morreu após ser baleado na marcha da morte promovida pelos nazistas e só voltou a encontrar a família após três meses do fim da guerra - emocionou o público nas duas palestras que ele proferiu, nesta quarta-feira (26), na sua quinta visita à cidade. À tarde, ele falou sobre 'Holocausto! Lembrar Para Que?', no Centro Cultural Martha Watts, que realiza a exposição 'Shemá, Israel'. À noite, no Teatro Unimep, ele participou da reunião solene pelo Dia Municipal da Lembrança. "Contar o que aconteceu é uma missão, porque sobrevivi e tenho que perpetuar essa memória. O tempo tenta enganar as pessoas e há manobras para que todos pensem que o Holocausto não aconteceu. Ele foi real, como diversos genocídios vêm sendo praticados, inclusive o da Síria", afirmou. O regime nazista liderado pelo ditador alemão Adolf Hitler, matou quase 12 milhões de pessoas, entre elas seis milhões de judeus. "Dois milhões sobreviveram. Em Terezín, de 15 mil crianças que passaram por lá, somente 325 sobreviveram", disse. Venetianer passou fome, frio, medo de ver os oficiais e de ver os oficiais matarem as pessoas. "Os intelectuais judeus decidiram que as crianças deveriam ser preservadas. Então criaram salas de aula. Nós desenhávamos. Eu mal via a minha mãe. Quando ela voltava do trabalho, na cozinha dos oficiais, eu já estava dormindo. Quando eu acordava, ela já tinha ido trabalhar. Não fomos para o campo de extermínio, porque as linhas férreas tinham sido destruídas pelos soviéticos. Todo dia, recebíamos uma ração com um pão ruim e um caldo quente que chamavam de sopa. No dia que os soviéticos chegaram, não serviram a ração. Começou uma agitação, então descobrimos que os alemães tinham fugido. Eles entraram em tanques e um soldado desceu e abraçou eu e meu amigo. Ele nos deu uma barra de chocolate. Eu tinha sofrido tanto, quem nem lembrava mais o que era chocolate", contou.

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