A atividade integrou a programação do Dia Municipal da Lembrança
Quinta-feira, 19 de abril de 2018 “Não é excessivo, repetitivo, dizer para vocês que depois da Segunda Guerra Mundial, de 1945 até os dias atuais, 50 milhões de seres humanos foram exterminados em 30 genocídios. A Humanidade não aprende. Mas a função dessa geração que se vai, a minha, é justamente garantir que a sua voz e sua experiência sejam ouvidas. Esse é o principal motivo pelo qual eu digo que vocês são a minha plateia preferida". A fala impactante é de Thomas Venetianer, 80 anos de idade, sobrevivente do Holocausto Nazista, e foi proferida nesta quarta-feira (18), durante palestra ministrada, por ele, a estudantes do Sesi, localizado no bairro Vila Industrial. A atividade integrou a programação do Dia Municipal da Lembrança, data instituída pelo decreto legislativo número 8, de 2011, que homenageia os milhares judeus mortos nos campos de concentração alemães durante o confronto global. O Dia Municipal da Lembrança é anualmente organizado pela Câmara de Vereadores de Piracicaba e pela Comunidade Israelita de Piracicaba. Nesta quarta-feira, o sobrevivente do Holocausto também contou sua história de vida a alunos das Etecs 'Coronel Fernando Febeliano da Costa' e 'Deputado Ary de Camargo Pedroso'. E à noite, houve uma sessão solene no Legislativo em tributo aos sobreviventes do nazismo. Estima-se que seis milhões de judeus morreram durante o regime nazista de Adolph Hitler. Os horrores do Holocausto, diz Venetianer, precisam ser contados à juventude como um constante alerta do que pode acontecer quando, em momentos de crise, surgem os ditadores. "O Holocausto é um episódio tão fora do comum da humanidade, uma barbárie que retrocede à idade da pedra, que é uma história que não pode morrer", afirmou. "É um alerta para jovens de que é preciso tomar cuidado com qualquer extremismo político e eleitoral. E, infelizmente, o Brasil está nessa situação", advertiu. Nascido na antiga Tchecoslováquia, Venetianer contou que, inicialmente, ele e seus pais se refugiaram nas montanhas (da hoje atual República Eslovaca) na tentativa de escapar das tropas nazistas. Porém, foram capturados pela Gestapo, a Polícia Secreta Alemã, e levados ao campo de concentração de Terezín, a 60 quilômetros da cidade de Praga, onde passaram fome, frio e viveram as perversidades nazistas. "Em 1941, 1942, os judeus já sabiam das atrocidades alemãs e começaram a tentar fugir. Mas não era fácil, porque o país onde eu vivia era um território cercado de países fascistas e nazistas", recordou o sobrevivente. "Completei oito anos no campo de concentração e logo depois acabou a guerra", acrescentou. Qual é a sua memória mais dolorosa dos anos de guerra e holocausto? "Ser órfão de família. Só me conscientizei de que era um sobrevivente, assim como meus pais, quando eu tinha uns 13 ou 14 anos de idade. Não tínhamos ninguém aqui no Brasil. Para mim, isso foi uma experiência muito dolorosa que carreguei durante anos", relatou. "Eu lhe digo com orgulho, sinceramente, que me considero um brasileiro de 70 anos de idade, que é o tempo que eu vivo no Brasil. Nós nos naturalizamos e nos integramos à sociedade brasileira. O Brasil é, provavelmente, um dos poucos países onde a sociedade é tolerante, amigável e disposta a ajudar as pessoas. E nós nos aproveitamos disso para recomeçar a nossa vida quando viemos para cá. O melhor País é o Brasil, apesar dos pesares e dos problemas que temos hoje", avaliou.