
Falta de chuvas mantém em alerta o principal reservatório da Região Metropolitana, que ainda opera em patamar crítico (Sabesp)
Apesar das fortes chuvas que elevaram os níveis dos mananciais da Grande São Paulo, os rios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Juqueri e Piracicaba — responsáveis pelo abastecimento do Sistema Cantareira — continuam registrando baixos índices de precipitação. A situação mantém em alerta o principal reservatório da Região Metropolitana, que ainda opera em patamar crítico e depende diretamente da regularidade das chuvas nessas regiões de cabeceira.
Entre sábado e terça-feira (18 a 21), a capital paulista recebeu cerca de 110 milímetros de chuva, volume equivalente a 15 dias do total esperado para todo o mês de janeiro, segundo a Defesa Civil do Estado. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que havia caído para 27,7% da capacidade, subiu para 32,3% na quinta-feira (22). O Cantareira, responsável por cerca de 40% da produção de água do SIM, também apresentou leve recuperação, passando de 19% para 21%.
Apesar da melhora, o Governo de São Paulo reforça que os níveis continuam críticos e que o consumo de água aumentou até 60% em função das ondas de calor que atingem a região. A combinação de maior demanda e baixa reposição hídrica nos rios que abastecem o Cantareira preocupa autoridades e especialistas.
“O uso consciente de água deve fazer parte da rotina das famílias, principalmente neste período de escassez. As represas voltaram a subir, mas os esforços pela economia não podem parar”, afirmou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
Desde outubro, o Estado adota o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que monitora em tempo real os sete sistemas produtores de água e permite medidas como a redução da pressão noturna. Atualmente, o Cantareira está enquadrado na Faixa 3 operacional, o que implica Gestão de Demanda Noturna (GDN) de 10 horas por dia e intensificação das campanhas de conscientização.
Graças à redução de pressão, até 4 de janeiro foram economizados mais de 70 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo mensal de 12,3 milhões de pessoas — número superior à população da cidade de São Paulo. Essa medida tem sido considerada fundamental para evitar colapsos no abastecimento em períodos de estiagem prolongada.
O Marco Legal do Saneamento prevê universalização do acesso à água tratada até 2033. Em São Paulo, a Sabesp assumiu o compromisso de antecipar a meta para 2029, com investimentos de R$ 70 bilhões. A empresa afirma que a desestatização realizada em 2024 acelera a execução dos projetos e garante mais segurança hídrica para os paulistas. “A privatização realizada em 2024 acelera a execução dos projetos e garante mais segurança hídrica para os paulistas”, destacou a secretária Natália Resende.
Além dos investimentos, o governo aposta em campanhas de conscientização e em obras de interligação entre sistemas, como a ligação entre Billings e Alto Tietê, para ampliar a oferta de água em momentos de crise. A estratégia busca reduzir a dependência do Cantareira, mas especialistas lembram que o sistema continua sendo o mais importante para a Região Metropolitana e que sua recuperação depende diretamente da regularidade das chuvas nos rios que o alimentam.
Orientação
Dicas para economizar água:
• Banhos rápidos de 5 minutos podem economizar até 9 mil litros por mês em uma família de três pessoas
• Descargas: verifique vazamentos e evite desperdícios
• Cozinha: mantenha a torneira fechada ao ensaboar a louça
• Lavagem de roupas: use a máquina apenas cheia e reaproveite a água descartada
• Limpeza externa: substitua mangueira por vassoura e, ao lavar carros, prefira balde em vez de mangueira