EM CAMPINAS

Sinfônica deve se tornar um patrimônio cultural

Inclusão foi tomada após vereador ter proposto o fim do grupo

Maria Teresa Costa
15/12/2017 às 10:54.
Atualizado em 19/04/2022 às 00:36

Sexta-feira, 15 de dezembro de 2017 A Orquestra Sinfônica de Campinas vai se tornar patrimônio cultural imaterial de Campinas. O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) decidiu, na reunião desta quinta-feira (14), abrir estudos para incluir a Sinfônica no Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial de Campinas, pela importância que ela tem na cultura do Município. Além da Orquestra, o Conselho abriu estudos também para o registro da 'Folia de Reis', do 'Samba de Bumbo' e da 'Lavagem da Escadaria da Catedral' como Bens Culturais Imateriais de Campinas. O presidente do Conselho e secretário municipal de Cultura, Ney Carrasco, disse que a decisão de incluir a Sinfônica foi tomada em caráter excepcional, diante do ataque sofrido pela Orquestra com a proposta do vereador Paulo Galtério (PSB) de acabar com ela, pelo “custo” que representa em folha de pagamento aos cofres públicos. Diante da crise financeira que a Prefeitura enfrenta, ter uma orquestra, segundo o vereador, é um luxo que a cidade não pode arcar. Os pedidos de inclusão a Folia de Reis, do Samba de Bumbo e da Lavagem da Escadaria da Catedral já estavam tramitando na Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC). O Condepacc recebeu solicitação do vereador Gustavo Petta (PCdoB) para o registro da Sinfônica como Patrimônio Cultural Imaterial de Campinas. Na sessão de quarta-feira, que foi a última do ano, 32 dos 33 vereadores concordaram em assinar a solicitação. Segundo o vereador Petta, a Orquestra, fundada em 1929, foi a primeira instituição do gênero a surgir em uma cidade brasileira fora das Capitais de Estado e é uma das mais antigas em atividade no Pais. Além disso, conforme o parlamentar, ela é o principal aparato cultural de Campinas. O pedido do vereador, segundo Carrasco, reforça a decisão tomada pelo Condepacc. O registro é um instrumento legal de preservação, reconhecimento e valorização do Patrimônio Cultural Imaterial composto por aqueles bens que contribuíram para a formação da sociedade brasileira. Consiste na produção de conhecimento sobre o bem cultural imaterial em todos os seus aspectos culturalmente relevantes. Carrasco informou que assim que o Conselho incluir a Sinfônica no Registro de Bens Culturais será elaborado um plano de salvaguarda para ela. Salvaguardar um Bem Imaterial, explicou, é apoiar sua continuidade de modo sustentável, atuar para melhoria das condições sociais e materiais de transmissão e reprodução que possibilitam sua existência. De forma geral, o conhecimento gerado durante os processos de inventário e registro é o que permite identificar de formas mais adequadas de salvaguarda. Essas formas podem variar da ajuda financeira a detentores de saberes específicos com vistas à sua transmissão, até, por exemplo, a organização comunitária ou a facilitação de acesso às matérias primas. O Conselho vai votar a inclusão no registro em fevereiro, na volta do recesso, quando a Sinfônica passará a pertencer a uma lista dos bens imateriais de Campinas onde já estão a capoeira e o jongo (tido como avô do samba) como bens imateriais da cidade. Há estudos para incluir também a Feira Hippie, cerca de cem brincadeiras infantis que são passadas de geração a geração na região de Campinas e a Cultura Caipira. Pelo Iphan Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável por promover e coordenar o processo de preservação e valorização do patrimônio cultural brasileiro, os bens culturais imateriais estão relacionados aos saberes, às habilidades, às crenças, às práticas, ao modo de ser das pessoas. Dessa forma podem ser considerados bens imateriais: conhecimentos enraizados no cotidiano das comunidades; manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; rituais e festas que marcam a vivência coletiva da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; além de mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais. Esses critérios são seguidos pelo Condepacc nas decisões que elegem os bens imateriais de Campinas. O Campinas e Região Convention & Visitors Bureau (CRCVB) divulgou nota em que manifesta apoio à Orquestra Sinfônica de Campinas que, segundo a entidade, é “motivo de orgulho para nossa cidade e região, com sua representatividade nacional e internacional, conquistada em quase 90 anos de trabalho árduo e de valor intangível”. O CRCVB afirma que, como entidade que objetiva incentivar o Turismo Regional e a propagação de Campinas como destino, enxerga na Orquestra Sinfônica um dos principais pilares de divulgação de nossa cidade, com fundamental papel histórico em tantos momentos do município e do País. “Poucas metrópoles no mundo possuem uma orquestra de tamanha qualidade e credibilidade e torna-se inadmissível a possibilidade de que nossa Campinas possa perder tão importante patrimônio”, diz a nota.

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