Hoje em dia, o pessimismo dá espaço ao sentimento de inconformismo

Valentin lembra que a fé é um poderoso dom capaz de gerar transformações (Antonio Trivelin)
Segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 O ano de 2016 fica para a história do País como um ano de muita instabilidade econômica, social e política. Mas mesmo assim é preciso manter o foco em coisas boas, ser proativo e não deixar a "peteca cair". Santo Agostinho um dia escreveu: “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”. O professor Ismael Forte Valentin, docente na Unimep (Univesidade Metodista de Piracicaba), explica que é preciso ter fé, esperança em dias melhores mesmo em um País em turbulência. Porém, precisamos ser severos, críticos com o atual cenário. "Rubem Alves (escritor) disse em certa ocasião: ‘minha esperança é muito pequena'. Acompanho esse sentimento. Diante de tanta corrupção, desrespeito para com as pessoas (eleitores), cumpridoras dos seus deveres, pagadoras dos seus impostos, a desesperança está disseminada. Em quem podemos confiar? Pessoa, partido? Leonardo Boff fala de uma “revolução” baseada na inteligência emocional e na sensibilidade humanitária. Creio que esses elementos são fundamentais para pensarmos em resgatar a esperança de viver com dignidade”, analisa o professor. “Não podemos perder a esperança. Ela é uma importante motivação para seguirmos em frente. Mas é uma esperança que se movimenta, age, interage, participa, cobra. É a esperança que constrói um tempo diferente, no qual a morte é aceita com serenidade e respeito", explica. Valentin é, dentre outras formações, graduado em Teologia e Filosofia, mestre em Ciências da Religião e doutor em Educação. Outro sentimento Em sua análise, o pessimismo no Brasil está dando espaço a outro sentimento. "O que vivemos agora é o inconformismo, decepção e indefinição. Há 14 anos o partido que prometia mais justiça, inclusão, equilíbrio, atenção aos menos favorecidos etc., decepcionou”, explica o professor. “Os movimentos apartidários agem de maneira pontual e sazonal, as organizações estão desacreditadas. Instituições como família, escola, igreja estão desmobilizadas ou agindo de maneira isolada ou para atender interesses pessoais, de sobrevivência. A partir da perspectiva teológica cristã fundamentada no eixo da liberdade, a Igreja Cristã, em todos os seus segmentos, com raras exceções, não cumpre seu papel de gerar pessoas conscientes, críticas, responsáveis, participativas politicamente; éticas, comprometidas com o bem-estar da coletividade", analisa Valentin. “Mas a fé é um poderoso dom que as pessoas têm e, quando canalizada para ações concretas, é capaz de gerar transformações”, afirma o estudioso.