ESTREITANDO RELAÇÕES

Sentimentos digitais à flor da pele e das telas

Padre Kleber Danelon desejou Feliz Natal pelas redes sociais

José Ricardo Ferreira
26/12/2017 às 11:22.
Atualizado em 19/04/2022 às 00:59

Terça-feira, 26 de dezembro de 2017 Não há dúvidas de que as redes sociais estão inseridas no contexto religioso. E no Natal deste ano, os cristãos católicos usaram muito a internet para transmitir seus sentimentos a amigos e familiares. "São instrumentais importantes. A Igreja se utiliza disso e incentiva esses meios, até mesmo para evangelização e estreitar relações", diz o padre Kleber Fernandes Danelon, 39 anos de idade, da Diocese de Piracicaba. Ele próprio mandou suas mensagens. Transmitiu pelo Facebook e WhatsApp seus desejos de Boas Festas. "Minha irmã, cunhados e sobrinhos receberam minhas mensagens porque eles estão nos Estados Unidos", disse. Danelon entende que as redes sociais são importantes, principalmente para os mais jovens. "A Igreja acredita que para chegar aos jovens esse é um dos meios". Quando usados com respeito, as redes sociais são úteis. "Nessa época do ano, acho muito útil o uso das redes sociais porque se cria uma atmosfera positiva. O Natal carrega por si só os desejos de prosperidade, de paz, de esperança. Então, quando você recebe uma mensagem significa que alguém pensou em você. Mesmo se a mensagem chegar curta, numa lista de contatos, alguém se lembrou de você", observa o padre. O padre aponta, porém, que a melhor forma de desejar algo de bom é o contato pessoal e isso deve ser priorizado. A época dos cartões natalinos entregues pelos Correios já está virando passado, reconhece ele. O mundo digital, diz o padre, é artificial, mas consegue unir as pessoas que estão distantes fisicamente. Prós e contras, as redes sociais estão aí para serem usadas. Às vezes, aponta o padre, de forma equivocada. Ele observa, por exemplo, quando familiares, em cômodos deferentes, conversam dentro da própria casa pelo WhatsApp. "Entendo que uma mensagem é mais do que um conteúdo que se transmite. O bom é o olho no olho, o abraço. Votos que você transmite não apenas com a escrita, mas o que o seu coração oferece à pessoa". O padre reforça a ideia de que a Igreja vê de forma positiva essa cultura digital, mas se preocupa com a nova geração que às vezes falta com os sensos de justiça, ética e verdade. Por exemplo, nas redes sociais as pessoas são julgadas e condenadas sem ter conhecimento do que está por trás de uma crítica. Uma foto, diz ele, pode levar a inúmeras interpretações nas redes. "Quando a Cultura Digital impede o acesso à verdade, impede também a noção de justiça. Isso preocupa a Igreja". Mas quando existe bom senso, vale a intenção. "Só não aconselho as chamadas "correntes". Tem correntes que dizem se você não encaminhar para tantas pessoas, vai acontecer algo de ruim. Eu apago essas mensagens. Mas no coração das pessoas há muitas boas intenções. E bom Natal a todos", deseja o religioso.

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