O MEIO-TERMO

Sedema criará Comissão para discutir sossego público

As reclamações geraram 51 autos de infração de janeiro a setembro

Ana Cristina Andrade
ana.andrade@gazetadepiracicaba.com.br
06/12/2017 às 09:50.
Atualizado em 19/04/2022 às 01:04

Quarta-feira, 6 de dezembro de 2017 A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sedema) deverá criar uma Comissão que discutirá formas de poder conciliar a execução de Música em bares, casas noturnas e similares, com o sossego público. O assunto foi tema do 1º Seminário Música e Cultura, realizado na manhã desta terça-feira (5), no anfiteatro da Biblioteca Municipal 'Ricardo Ferraz de Arruda'. Segundo Fabiano Bertin, engenheiro ambiental da Sedema, um ex-gerente da Cetesb, um dono de bar, um proprietário restaurante, um produtor de eventos, dois músicos e um membro do Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) já mostraram interesse em fazer parte da Comissão. Em breve, eles farão contato para nova reunião. As reclamações de perturbação de sossego público, dirigidas ao Pelotão Ambiental de Piracicaba, segundo José Otávio Machado Menten, secretário Municipal de Meio Ambiente, geraram 51 autos de infração de janeiro a setembro deste ano, 18 a mais que no mesmo período do ano passado. "Isso significa que tem gente sendo incomodada. É um assunto delicado porque de um lado tem o setor dos donos de estabelecimentos, os músicos, uma parcela da população que frequenta esses locais e gosta de música e outra parcela que se sente prejudicada por esse som pelo fato de, algumas vezes, ultrapassar o limite", declarou. Esse entendimento é importante, de acordo com ele, para que todos conheçam a legislação e que utilizem tecnologias disponíveis que permitam fazer som sem haver tantos prejuízos. "Pode-se utilizar isolamentos acústicos ou equipamentos adequados que não permitam que o som se propague tão longe", ressaltou. Rosângela Camolese, secretária municipal de Cultura e Turismo, lembrou que a cidade é muito festeira e há diversos locais que fazem parte da Cultura - Largo dos Pescadores, Engenho Central, Rua do Porto, entorno do Casarão do Turismo, Casa do Povoador e outros locais com música ao vivo. "Precisamos entrar num consenso porque temos dois lados: do sossego público e do músico que, além de muitas vezes ter seu sustento através da música, faz por amor. Temos que verificar a legislação, ver o que dá para mudar e tentar harmonia entre os dois lados". Thereza Alves Herler, 76 anos de idade, há 60 anos na Música, reclamou que na cidade não tem espaço para trabalhar. "A pressão que se faz em cima de donos de bares nos deixa esmagados neste meio. Os que não podem atender as exigências da legislação começam a fechar. Músicos maravilhosos de qualidade indiscutível já foram embora porque não têm espaço para exercer seu trabalho com qualidade e plenitude", afirmou. E completou: "Enquanto não puder mexer no bolso para atender as exigências vai ter que haver uma tolerância. A música é a paixão da minha vida e se Deus me der força vou subir ao palco até morrer". O debate foi intermediado por Pablo Carajol Delvage, produtor musical e responsável pelo Projeto Guri.

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