FEBRE AMARELA

Saúde mapeia onde vivem os macacos

Secretaria de Saúde iniciará, sábado, um levantamento das áreas rurais

Adriana Ferezim
10/05/2018 às 09:31.
Atualizado em 28/04/2022 às 02:10
Um sagui (Christiano Diehl Neto)

Um sagui (Christiano Diehl Neto)

Quinta-feira, 10 de maio de 2018 As equipes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) começam, neste sábado (12), junto com a Campanha de Vacinação Antirrábica de Cães e Gatos da Zona Rural da cidade, o mapeamento das áreas de mata que têm a presença de macacos e o levantamento de raiva dos herbívoros. O objetivo de mapear as áreas é ter conhecimento do local onde os macacos vivem. A ação é preventiva contra a febre amarela, porque esses animais são considerados “sentinelas” da doença. A informação é do coordenador da campanha, o médico veterinário Paulo Lara, do CCZ. Segundo ele, na região, há grande presença de saguis. Eles estão nas regiões rural e urbana em praticamente todo o município, como no Horto de Tupi, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), no Lar dos Velhinhos e no Bosque da Água Branca. O mapeamento contará com o auxílio de toda a população. “São as pessoas que residem na área rural que avistam os saguis e informam quando os encontram mortos, o que pode ser um sinal de que há a presença do vírus da febre amarela. Por isso, eles são chamados sentinelas. Quando adoecem pela febre amarela, morrem. Ter esse mapeamento é importante para a prevenção e para a ação de combate, porque se a doença for detectada na cidade, saberemos quais regiões fazer o bloqueio”, afirmou. Neste ano, foram encontrados quatro saguis mortos e dois no ano passado. “Fizemos exames e nenhum estava com febre amarela. A causa da morte mais provável foi a eletrocutação, porque eles circulam pelos cabos da rede elétrica que passam pelas copas das árvores”, explicou. Neste ano, Piracicaba registrou a morte de um rapaz por febre amarela. Mas o local onde ele teria contraído a doença não foi identificado. O município continua fora da lista dos locais de risco do Estado. Lara ressaltou que além do sagui, há relatos de avistamentos de macaco prego, na região do Horto de Tupi. “Já recebemos a informação de pessoas que disseram ver um macaco maior que o sagui nessa área. Mas nossas equipes nunca conseguiram avistar e também não localizamos nenhum animal morto. Se forem feitos novos relatos, entrarão nesse novo mapeamento”, comentou. A ação - que também contará com orientação sobre a doença e a importância de informar o CCZ se encontrar macacos doentes ou mortos - será feita em parceria com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Sema) e a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana). Raiva O trabalho de levantamento das áreas com presença de saguis é possível porque, na vacinação as equipes do CCZ, visitam todas as propriedades da área rural para a imunização de cães e gatos. “Verificamos a área de mata remanescentes das propriedades e os avistamentos indicados pelos moradores. Da mesma forma, também vamos verificar se animais, como gado e equinos, têm aparecido com mordidas de morcegos hematófagos, que podem transmitir a raiva. Os proprietários dos animais são orientados a providenciais a vacinação desses animais de grande porte e o controle da doença é feito pelo Escritório de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo”, afirmou. Com o levantamento, o CCz consegue notificar a ocorrência de morcegos hematófagos em determinadas áreas, para controle da raiva dos herbívoros. “Neste ano,  tivemos a morte de dois equinos na região do bairro Glebas Taquaral. Por isso, a Campanha de Vacinação Antirrábica para Cães e Gatos começará naquela região”, disse. O coordenador afirmou que a vacinação na área rural será realizada a partir deste sábado, e prosseguirá até o dia 14 de julho. A vacinação de cães e gatos na área urbana começará em setembro. “A imunização será feita durante a semana, nas casas, e aos sábados em pontos fixos em algumas áreas mais populosas e também nas propriedades”, afirmou. A meta é vacinar cerca de 11 mil animais em toda a zona rural do município. 

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