No Dia Nacional de Imunização, comemorado em 9 de junho, a enfermeira coordenadora do SCIH — Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Piracicaba, Fernanda Silveira Rosa, explica como esse mecanismo funciona e por que manter o calendário vacinal em dia é uma responsabilidade individual e coletiva
Enfermeira coordenadora do SCIH da Santa Casa, Fernanda Rosa, destaca a importância das vacinas (Divulgação)
A história da saúde pública é marcada por avanços que mudaram o curso da humanidade. Entre eles, a vacinação ocupa lugar de destaque: responsável pela erradicação da varíola e pelo controle de doenças que, por séculos, ceifaram vidas em larga escala, as vacinas seguem sendo um dos instrumentos mais eficazes da medicina. No Dia Nacional de Imunização, comemorado em 9 de junho, a enfermeira coordenadora do SCIH — Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Piracicaba, Fernanda Silveira Rosa, explica como esse mecanismo funciona e por que manter o calendário vacinal em dia é uma responsabilidade individual e coletiva.
De forma direta, a enfermeira define o que é uma vacina: “preparações biológicas que apresentam ao sistema imunológico um agente infeccioso — vírus ou bactéria — em forma enfraquecida, inativada ou por meio de proteínas específicas. A partir desse contato, o organismo produz anticorpos e ativa células de defesa, preparando-se para reagir caso encontre o agente real no futuro”.
Os resultados dessa preparação são verificáveis na história. Antes da vacinação em massa, doenças como poliomielite, sarampo, rubéola, caxumba, difteria e tuberculose provocavam mortes e sequelas em larga escala. "Graças à cobertura vacinal ampliada, essas doenças estão sob controle ou foram eliminadas em muitos países", destaca Fernanda. O caso mais emblemático é o da varíola, declarada erradicada pela Organização Mundial da Saúde em 1980, conquista direta de um programa global de imunização. A poliomielite segue o mesmo caminho, restrita hoje a poucos países no mundo.
A proteção, porém, não se limita a quem recebe a dose. Fernanda chama atenção para a imunidade coletiva, fenômeno em que a vacinação de uma parcela significativa da população reduz a circulação do agente infeccioso, protegendo também aqueles que não podem ser vacinados. Crianças com menos de determinada idade, idosos e pessoas imunossuprimidas formam o grupo mais exposto às complicações de doenças infecciosas e dependem, em parte, da cobertura vacinal dos que os cercam.
Quanto à segurança, a enfermeira é enfática: as vacinas disponíveis no país passam por etapas rigorosas de teste clínico antes de receberem aprovação dos órgãos regulatórios. Efeitos adversos graves são raros e monitorados de forma contínua pelas autoridades sanitárias. "Os benefícios da vacinação superam amplamente os riscos potenciais", afirma.
O cenário atual, no entanto, exige atenção. A desinformação sobre vacinas tem contribuído para a queda nas taxas de cobertura vacinal em diversas regiões do Brasil, criando condições para o ressurgimento de doenças já controladas. Para Fernanda, manter o cartão de vacinação atualizado é um ato de responsabilidade — com a própria saúde e com a da comunidade. "Ao tomar as vacinas recomendadas, você se protege, protege os mais vulneráveis e contribui para o controle e a erradicação de doenças", conclui.