As maiores quedas foram dos setores de produtos alimentícios

Mesmo com o resultado positivo, Vargas alerta que isso não significa o fim da crise (Antonio Trivelin)
Sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017 O estudo sobre o nível de emprego industrial em Piracicaba e nas outras sete cidades da Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) registrou alta de 0,25% com aumento de 100 postos de trabalho, no comparativo com o mês de dezembro de 2016. A melhora, que não era registrada no primeiro mês do ano desde 2013, no entanto, não significa o fim da crise. O alerta é de Álvaro Vargas, diretor-titular do Ciesp Piracicaba. No acumulado do ano, o resultado do emprego está negativo em 7,28%, com o fechamento de 3,3 mil postos de trabalho. Em janeiro de 2016, o resultado foi negativo em 0,35%, em 2015, chegou a menos 0,48%, em 2014, a redução foi de 1,73%. Em 2013, ficou em 0,01% positivo. O resultado de janeiro deixou a cidade na 16ª posição entre as 35 diretorias regionais do Estado. A que teve melhor resultado foi São Carlos, com crescimento de 2,16%, seguida por Araraquara (1,89%) e Jacareí (1,46%). A maior queda foi São Caetano do Sul, com menos 2,41%. A média do Estado ficou positiva em 0,31%, do Interior 0,43%, da Grande São Paulo 0,14% e no ABCD, 0,08%. “Nesse mês de janeiro estamos melhor do que no do ano passado. As atividades que estavam desaceleradas, aos poucos voltam a se recuperar. Estamos no terceiro ano de recessão profunda do país. Os empresários da indústria seguraram as pessoas que foram possíveis nesse período, até o limite e tiveram de demitir. Agora, que aos poucos começam a voltar os pedidos, começa a recontratação”, afirmou. De acordo com Homero Scarso, gerente-regional do Ciesp Piracicaba, desde o início da crise, cerca de 10 mil postos de trabalho foram fechados. “As empresas adaptaram sua gestão. Uma pequena, por exemplo, contrata de acordo coma demanda que recebe. Se o pedido é por três meses de trabalho, a contratação vai durar esse período”, afirmou. Para Vargas, serão necessários mais de três anos de recuperação econômica do País para que Piracicaba possa recuperar a maior parte dos postos de trabalho. “Nem todos serão recuperados, porque alguns são extintos. Isso ocorre, por mudanças no sistema de produção ou porque as empresas fecharam”, comentou. Nos próximos meses a tendência é que os saldos no emprego voltem a ser positivos. “Essa melhora será sempre pequena, mas deve continuar”, disse Vargas. Setores De acordo com o estudo do Ciesp Piracicaba, os setores da Indústria que mais influenciaram no saldo positivo do emprego em janeiro deste ano foram os de produtos químicos (+7,80), de veículos automotores e autopeças, com alta de 3,54%; máquinas e equipamentos (+0,75%) e produtos de minerais não-metálicos (1,60%). Tiveram neutralidade entre demissões e contratações, com 0%, os setores de artefatos de couro, calçados e artigos para viagem; celulose, papel e produtos de papel; impressão e reprodução de gravações e produtos diversos. As maiores quedas foram dos setores de produtos alimentícios (-3,03%) e produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-3.03%). Vargas explica que as empresas já chegaram ao pior da crise e que há sinais - ainda mínimos - de recuperação da Economia. “O dólar caiu e isso aconteceu porque o cenário brasileiro está sendo considerado positivo e de confiança para o investidor internacional. Diferente de outros países onde há possibilidade de conflitos. O que falta para o empresário brasileiro é mais facilidade no crédito - com prazo e juros melhores - e limitar a flutuação cambial, que prejudica muito as negociações no mercado externo”, avaliou.