Carnaval de Luto

Roberto Crivellari sofreu infarto fulminante, relata família

Seu corpo foi velado no Cemitério da Saudade, onde se deu seu sepultamento na quinta-feira (9)

Romualdo Cruz Filho
10/06/2022 às 06:52.
Atualizado em 10/06/2022 às 06:53
Carnavalesco Carlos Roberto Crivellari foi sepultado na tarde de ontem, no Cemitério da Saudade (Davi Negri)

Carnavalesco Carlos Roberto Crivellari foi sepultado na tarde de ontem, no Cemitério da Saudade (Davi Negri)

Morreu na madrugada de ontem (9) em Piracicaba o carnavalesco Carlos Roberto Crivellari (1954-2022), que faria 68 anos em 12 de julho. Seu corpo foi velado no Cemitério da Saudade, onde se deu seu sepultamento. Ele sofreu um infarto fulminante, por volta das 23h, segundo informações da família. 

Crivellari era funcionário público e trabalhou durante décadas na Secretaria de Turismo, como um dos responsáveis pela organização dos carnavais de rua da cidade, eventos que marcaram a sua atuação no setor.

A Escola de Samba Ekyperalta era a sua grande bandeira.
O piracicabano chegou a conquistar em 1987 e 2005 o troféu "Sambista de Ouro", outorgado pela Federação das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas do Estado de São Paulo (Fesec), na categoria "Personalidade do Mundo do Samba".

No último sábado (4), Crivellari participou de um cortejo do Baque Caipira, Territórios Férteis, que ocorreu no bairro Boa Esperança. De acordo com Pablo Carajol (do Mandato Coletivo A Cidade é Sua), que o conduziu, foi um pedido do próprio Crivellari participar da atividade, para estar perto de artistas.

"Piracicaba amanheceu cinza hoje (ontem), sem a graça, o humor crítico do nosso querido amigo e grande conhecedor, defensor e entusiasta do Carnaval piracicabano, Roberto Crivellari. A cidade e o carnaval choram pela perda desta figura humana e indispensável, que por cerca de 50 anos se dedicou e até o seu último dia vibrou e atuou pela retomada do carnaval de Rua, como valor da cultura popular e do turismo. Sempre incisivo e contundente do papel do poder público e das Escolas de Samba neste processo. É nossa responsabilidade, como poder público, honrarmos a sua história criando um memorial ou um Centro de Tradições do Carnaval de Piracicaba que leve o seu nome e assim iremos propor", disse Carajol.

Em sua homenagem, estava prevista para o dia 29 de abril a entrega do Título de Piracicabanus Praeclarus, pela Câmara Municipal, proposta da vereadora do PV Silvia Morales. Mas com a morte do ex-deputado Mendes Thames no dia anterior e o luto oficial decretado, a homenagem havia sido transferida para 1º de julho. 

Nascido no bairro rural Água Branca, Crivellari mudou-se para a cidade aos cinco anos, onde foi criado pelos tios, no bairro dos Alemães. Foi casado com Silvana Alleone Crivellari, com quem teve uma filha: Tatiana. Além de carnavalesco, era um entusiasta dos movimentos culturais que aconteciam na cidade e participou ativamente de atividades relacionadas às festas tradicionais.

Sua relação com o carnaval é do início dos anos 1960, pelo bloco "Qual é o pó". Participou das gincanas automobilísticas, que deram origem às escolas de samba.

Em 1974, participou da fundação do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Ekyperalta, da qual recebeu em 2014 o título de presidente de honra. "Esta é uma das mais autênticas manifestações da cultura popular brasileira", costumava dizer.

Fez parte também da União das Escolas de Samba de Piracicaba (UESP) e Liga Independente das Escolas de Samba de Piracicaba (Liesp). Foi ainda presidente e coordenador de carnaval da Comissão das Escolas de Samba de Piracicaba. 

Pelo carnaval e pelo samba, participou de diversos encontros, seminários e fóruns de discussão de temas por todo o Estado de São Paulo, uma atividade que desenvolveu por mais de 30 anos. Crivellari deixa esposa, uma filha, além de parentes, amigos e diversos admiradores do seu trabalho em prol da cultura piracicabana.

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