Em 2025, a balança comercial da RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) registrou saldo 76% menor que em 2024, afetada pela queda nas exportações de açúcar, álcool e sumo e pelo tarifaço dos EUA

Pesquisadores identificaram dependência de peças e veículos adquiridos de empresas instaladas na cidade (Mateus Medeiros)
A balança comercial da Região Metropolitana de Piracicaba (RMP) registrou em 2025 um saldo 76% inferior ao do ano anterior. A retração nas vendas de açúcar, álcool e suco de frutas teve influência decisiva no resultado. As exportações somadas dos 24 municípios da RMP caíram 10%, enquanto as importações cresceram 7%.
Essa movimentação reflete também os efeitos do tarifaço americano sobre a economia regional, que afetaram significativamente os negócios. Os impactos só foram atenuados após negociações entre os dois governos, que reduziram a taxação de produtos essenciais da carteira comercial.
Os dados fazem parte do relatório divulgado pelo Observatório da RMP, grupo de estudos do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP.
O boletim, publicado anualmente, baseia-se em registros de exportações e importações realizados por empresas com CNPJs habilitados no Sistema Siscomex. O documento foi apresentado à Gazeta pelos professores Cristiane Feltre, Eliana Terci e Carlos Eduardo de Freitas Vian.
Cristiane, pesquisadora do Observatório da RMP e professora da Escola de Negócios da PUC Campinas, afirmou à Gazeta que a redução do saldo comercial não é, por si só, motivo de preocupação imediata. “Será preocupante se a queda se tornar uma tendência nos próximos anos”, disse.
“Nem é possível dizer até que ponto a conjuntura internacional determinou os resultados da balança. Os tópicos precisam ser analisados setorialmente, para que aí sim se tenha uma análise confiável”, completou.
Meio bilhão de queda
A redução nas vendas de açúcar, álcool e suco de frutas representou, em valores absolutos, uma perda de US$ 561 milhões nas exportações.
Quanto ao destino das vendas, os principais compradores da RMP foram: EUA (17,27%), Argentina (3,52%), Canadá (2,69%), Peru (2,01%), China (1,75%) e Chile (1,48%).
Os EUA, que em 2023 absorveram 34,8% das vendas regionais, perderam mais da metade dessa participação em 2024 (15,25%), recuperando parte em 2025 (17,27%).
Em Piracicaba, especificamente, as exportações para os EUA caíram US$ 29,5 milhões, retração de 2,2% em relação a 2024. A queda foi influenciada por insumos farmacêuticos (-55%), papel e celulose (-46,5%) e gorduras de animais (-84,4%).
Pauta de importações
Entre os produtos mais relevantes para a pauta regional, os maiores crescimentos foram em motores, componentes mecânicos de transmissão de potência e cabos e condutores elétricos. Juntos, esses itens representaram incremento de US$ 100 milhões nas importações.
A origem das compras internacionais da RMP segue concentrada em quatro países: EUA, Coreia do Sul, China e México, que somaram quase 70% das importações em 2025.
Os pesquisadores do Observatório destacam que há, especialmente em Piracicaba, forte dependência de peças para veículos e máquinas, adquiridas das matrizes de empresas de bens de capital e veículos instaladas na cidade.
Isso evidencia a estratégia de integração às cadeias globais de abastecimento. O problema é que o risco dessas companhias se intensifica em cenários de instabilidade nos mercados internacionais e no câmbio.
Riscos
Dependência preocupa
A concentração das exportações e importações em poucos países expôs a vulnerabilidade da RMP no ano passado, quando os EUA elevaram tarifas de importação para uma ampla gama de produtos.
Além da incidência maior de impostos, que torna o produto brasileiro menos competitivo, havia ainda a dificuldade de realocar equipamentos com especificações técnicas voltadas ao mercado americano.
O número
US$ 2,3 bilhões em mercadorias foram exportados pela RMP em 2025, com destaque para reatores, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos; máquinas e aparelhos elétricos; ferro fundido, ferro e aço.
Saiba mais
A apresentação detalhada dos resultados por setor, com tabelas e gráficos, está disponível em: https://www.facebook.com/oes.rmp