Calor e mais água

Rio Piracicaba em estado de atenção

Pancadas intensas de chuva elevam nível do Rio Piracicaba e deixam a Defesa Civil em alerta

Rogério Verzignasse
05/02/2026 às 06:51.
Atualizado em 05/02/2026 às 06:51
No caso de as chuvas continuarem e o nível do rio atingir 4,2 metros, a cidade entrará em estado de alerta (Mateus Medeiros/ Gazeta de Piracicaba)

No caso de as chuvas continuarem e o nível do rio atingir 4,2 metros, a cidade entrará em estado de alerta (Mateus Medeiros/ Gazeta de Piracicaba)

O Rio Piracicaba corre cheio e imponente. Na tarde desta quarta-feira, registrava vazão de 197,14 m³/s, acima da média histórica para esta época do ano, que é de 175,25 m³/s. O nível, de 2,9 metros às 15h, segundo medição da Sala de Situação PCJ, já colocava a Defesa Civil em estado de atenção.

Se houver chuvas fortes e o nível atingir 4,2 metros, a cidade entrará em alerta. Caso chegue a 4,7 metros, haverá extravasamento — cenário que ninguém deseja ver.

O piracicabano deve se preparar para calor e mais água. De acordo com os serviços de meteorologia, o quadro não deve mudar até sábado: temperaturas entre 21ºC e 29ºC, com pancadas de chuva localizadas e intensas a qualquer hora do dia. Apenas a partir de domingo o calor deve dar uma trégua.

Nada fora do normal para a estação. Como também são comuns — e já conhecidos pela população — os alagamentos e quedas de árvores.

Em situações climáticas extremas, a Prefeitura dispõe de um plano de contingência que prevê a atuação de uma força-tarefa formada pelas secretarias de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos; Segurança Pública, Trânsito e Transportes; Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, além da Defesa Civil, Guarda Civil, CPFL, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.

Não choveu o suficiente

A população se impressionou com a tempestade da última quinta-feira e com as pancadas quase diárias que se seguiram. No entanto, apesar de ter sido registrado um índice de precipitação de cerca de 70 mm desde então, janeiro choveu menos do que o esperado, segundo o professor Fábio Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq.

Em entrevista à Gazeta, ele explicou que o acumulado no Estado ficou bem abaixo da média histórica de 225 mm para o mês. Antes da chuvarada iniciada na quinta-feira, Piracicaba havia registrado pouco mais de 120 mm.

“Apesar de excessiva para uma semana, e de causar estragos e tragédias, a chuva não foi suficiente para a agricultura, por exemplo”, afirmou Marin.

As chuvas intensas desde o fim de janeiro, ao menos, trouxeram algum alento aos técnicos que monitoram os reservatórios. De acordo com a Sala de Situação PCJ, o Sistema Cantareira — estratégico para o abastecimento da capital e essencial para a manutenção da vazão média da Bacia do Piracicaba — atingiu ontem 232 milhões de metros cúbicos de água armazenada. O volume garante o abastecimento regular das residências, mas ainda representa apenas 23,6% da capacidade total do sistema, que é de 981 milhões de m³.

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