
Segundo o levantamento, 36% das bebidas comercializadas no Brasil são falsificadas, adulteradas ou contrabandeadas (Sandro Araújo/ Agência Saúde)
A região de Piracicaba segue a tendência do Estado de São Paulo, principal polo de distribuição e foco das grandes operações de inteligência da Receita Federal e da Polícia Civil no combate à economia paralela e aos produtos contrabandeados.
Na cidade, o potencial de consumo e a forte infraestrutura para circulação de mercadorias — com rodovias e pistas de pouso — são apontados como fatores que facilitam a ação criminosa.
O mercado ilegal movimentado por falsificação, pirataria e contrabando causou um prejuízo recorde de R$ 514 bilhões ao Brasil, um aumento de 8% em relação ao ano passado. Também se constatou a expansão da estrutura do crime organizado nessas operações.
O número é revelado pelo Anuário da Falsificação 2026, divulgado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) na sexta-feira.
De acordo com o diretor de comunicação do órgão, Rodolpho Ramazzini, o Estado é o epicentro dessa movimentação ilegal, concentrando sozinho R$ 205,6 bilhões das perdas. São Paulo responde por nada menos que 40% da movimentação criminosa. Também aqui ocorreram, no ano, um quinto de todas as operações de repressão comandadas pela Receita.
Para se ter uma ideia, o Brasil apreendeu no ano R$ 9,6 bilhões em itens irregulares.
“O avanço da falsificação exige atenção constante não apenas na proteção da indústria local, mas também na segurança do consumidor, visto que muitos produtos irregulares não passam pelos padrões de qualidade e podem representar riscos à saúde”, considera o executivo.
O cidadão deve desconfiar de preços muito abaixo da média de mercado, verificar selos de autenticidade (como os da Anvisa para medicamentos ou cosméticos) e exigir nota fiscal.
Em caso de suspeita de falsificação, pirataria ou fraudes no comércio, é possível registrar denúncias diretamente na plataforma da Associação Brasileira de Combate à Falsificação ou acionar os órgãos de segurança.
Os números
36% das bebidas comercializadas no Brasil são falsificadas, adulteradas, fraudadas ou contrabandeadas.
32% de todos os cigarros consumidos no país correspondem ao mercado ilegal.
70% de todos os itens apreendidos na repressão ao crime se referem a cigarros.
22 mortes foram confirmadas e outras nove estão em investigação em decorrência de produtos falsificados e sem controle sanitário.
Ranking
Setores mais impactados
Bebidas alcoólicas — R$ 89,5 bilhões
Vestuário — R$ 55 bilhões
Combustíveis — R$ 39 bilhões
Perfumaria — R$ 22,8 bilhões
Defensivos agrícolas — R$ 22 bilhões
Medicamentos — R$ 16,8 bilhões
Autopeças — R$ 13 bilhões
Cigarros — R$ 10,5 bilhões
Celulares — R$ 10,5 bilhões
Suplementos alimentares — R$ 10 bilhões