TEXTO NO SENADO

Protesto reuniu 80 motoristas do Uber na cidade

Condutores afirmam que projeto impede que atividade continue

Adriana Ferezim
adriana.ferezin@gazetadepiracicaba.com.br
31/10/2017 às 09:30.
Atualizado em 28/04/2022 às 02:47

Motoristas da Uber percorreram algumas ruas de Piracicaba até o Centro Cívico (Justino Lucente/Prefeitura/Divulgação)

Terça-feira, 31 de outubro de 2017 Em carreata pelas ruas da região Central da cidade, 86 motoristas que prestam serviço de transporte individual por meio do aplicativo Uber, protestaram contra o projeto de lei da Câmara número 28/2017, que regulamenta a atividade e que deve ser votado nesta terça-feira (31), no Senado. Eles saíram do ginásio municipal 'Waldemar Blatkauskas', localizado à rua 13 de Maio, e percorreram a rua Governador Pedro de Toledo, passaram pelos bairros Vila Rezende, Nova Piracicaba, passaram pela avenida Doutor Paulo de Moraes e, em frente ao prédio do Centro Cívico (sede da Prefeitura), fizeram um ato. Em virtude da votação da proposta no Senado, o poder público municipal informou que suspendeu os efeitos do decreto municipal que normatiza o serviço na cidade. Os protestos dos motoristas aconteceram em todo o País. Segundo eles, o projeto inviabilizaria a atividade. Um dos participantes do movimento, que preferiu não ser identificado, afirmou que o projeto tem pontos que precisam ser mais debatidos e que se for aprovado como está, vai prejudicar a atividade. Os problemas que a categoria verifica no texto são: os veículos deverão ser emplacados com placas vermelhas, como já ocorre com os táxis; o automóvel tem de estar em nome do motorista; a região de atuação fica restrita ao município, sendo proibida a viagem para outras cidades; o projeto prevê que as Prefeituras definirão o número de motoristas que poderão atuar nos municípios. "Se for aprovado o projeto, eu terei de parar de trabalhar, porque uso para a atividade o carro do meu pai. Muitos motoristas locam veículos para prestarem o serviço", afirmou. Crescimento Segundo ele, há mais de 170 motoristas prestando o serviço pelo aplicativo em Piracicaba e que a renda média é de R$ 2 mil. "A população está aprovando o serviço, porque a demanda está aumentando e o número de motoristas também", afirmou. A Gazeta não conseguiu contato ontem com a assessoria do Uber, para a empresa informar o número de motoristas na cidade. O motorista explicou que a categoria não se opõe à regulamentação, mas que o projeto, como está, burocratiza e impede que muitos motoristas continuem na atividade, nesse momento de crise. "Há pessoas que têm emprego fixo e atuam como Uber nas horas livres. Já outros se dedicam apenas a essa atividade", comentou. Atendimento Com o ato dos motoristas no Centro Cívico, o procurador-geral do município, Milton Sérgio Bissoli, recebeu uma Comissão de profissionais que atuam com o Uber para discutir a situação da prestação desse serviço na cidade, a partir do projeto 28/2017, que regulamenta o transporte remunerado privado individual de passageiros. "Durante o encontro ficou determinado que os motoristas continuam rodando, porém, o decreto de número 17.188/2017, que regulamenta o Uber e outros aplicativos de transporte em Piracicaba, chamados de PRCs (Provedoras de Redes de Compartilhamento), ficará invalidado até a resolução do Senado", informou a prefeitura, em nota.

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