A quatro mãos

Professora municipal e aluna de 5 anos escrevem juntas um livro

Projeto surgiu de forma espontânea, a partir da aproximação com uma criança que não se reconhecia no ambiente escolar

Da Redaçao
25/07/2026 às 06:31.
Atualizado em 25/07/2026 às 06:31

Laura Soares da Silva e a professora Flávia Nunes de Moraes: livro preparado a quatro mãos (Divulgação)

A rotina de uma turma multisseriada da educação infantil, da Escola Municipal Ada Dedini Ometto, tornou-se o ponto de partida para a criação de um livro escrito a quatro mãos entre a professora Flávia Nunes de Moraes e uma de suas alunas, Laura Soares da Silva, de 5 anos.

O resultado foi “A Escola Mágica”, livro que nasceu sem planejamento prévio, fruto da escuta sensível e da potência criadora da infância. A obra, da Editora Pedro & João, terá diversos lançamentos, a começar o da própria escola, onde até os colegas de Laura se envolveram na produção, ampliando para outros leitores uma história que começou dentro da sala de aula.

A professora Flávia, que atua na rede pública e é mestranda na Faculdade de Educação da Unicamp, conta que o projeto surgiu de forma espontânea, a partir de uma tentativa de aproximação com uma criança que não se reconhecia no ambiente escolar.

No início do ano letivo, a professora recebeu uma turma composta por crianças de Jardim I e Jardim II, entre quatro e cinco anos. A convivência entre diferentes idades, que ela considera positiva, veio acompanhada de um desafio: atender às singularidades de um grupo numeroso. Enquanto os menores buscavam acolhimento diante da separação da família, os maiores demonstravam curiosidade intensa e vontade de explorar livros, desenhos e letras.

Foi nesse contexto que Laura, uma das alunas, chamou atenção. Desde os primeiros dias, demonstrava desconforto com a escola e expressava, com sinceridade, que não gostava daquele espaço. Apesar disso, era imaginativa, falante e fascinada por histórias e invenções. A professora percebeu que o ambiente escolar não dialogava com o que Laura esperava encontrar, o que gerou inquietação e frustração.

Buscando estabelecer vínculo, Flávia fez uma pergunta simples: “como seria a escola que você gostaria de ter?” A resposta abriu caminho para um universo imaginário. Laura descreveu uma escola colorida, mágica, repleta de detalhes e objetos fantásticos. A professora pediu que ela desenhasse o que imaginava e passou a guardar cada registro, sem saber exatamente o que faria com eles.

Com o tempo, os desenhos revelaram uma narrativa: a história de uma menina que chega à escola sem se reconhecer naquele espaço, mas que, pela imaginação, reinventa o lugar e descobre novas formas de pertencer. Ao sugerir transformar aquele material em um livro, Flávia viu os olhos de Laura se iluminarem.

A partir daí, as duas passaram a construir juntas a narrativa: Laura imaginava e desenhava; Flávia escrevia e organizava as palavras. O início da obra foi pensado em preto e branco, representando a sensação inicial da personagem, com as cores surgindo conforme a imaginação florescia.


 

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Gazeta de Piracicaba© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por