EM RIO CLARO

Policiais acusados de extorsão são presos

Após serem ouvidos, foram seriam conduzidos a uma cadeia específica

José Ricardo Ferreira
ricardo.ferreira@gazetadepiracicaba.com.br
14/12/2017 às 10:31.
Atualizado em 19/04/2022 às 01:02

Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017 Em ação coordenada pelo Gaeco (Grupo de Combate ao Crime Organizado) de Piracicaba, Ministério Público e Corregedoria da Polícia Civil foram presos, nesta quarta-feira (13), três policiais civis de Rio Claro acusados de extorsão. A coordenação das investigações ficou sob responsabilidade dos promotores do Gaeco Alexandre de Andrade Pereira e André Vitor de Freitas. O três detidos foram levados inicialmente à Promotoria de Rio Claro (SP) e, após serem ouvidos, seriam conduzidos para uma cadeia destinada a policiais civis, em São Paulo (SP). Denominada Operação Abutre, de acordo com o promotor Pereira, a primeira abordagem ocorreu no dia 20 de outubro. A partir daí, começaram as investigações mais agudas. O promotor explicou, nesta quarta-feira, no Ministério Público, em Piracicaba, que a extorsão foi aplicada sobre um comerciante acusado de estelionato de Rio Claro. A vítima se sentiu acuada, pois os três policiais civis exigiam dinheiro. Caso o comerciante não aceitasse pagar, sofreria ainda mais pressão. "Eles (os três policiais) disseram que 'arrumariam para a cabeça' da vítima", disse o promotor Pereira. No início, eram três vítimas, mas apenas de uma foi exigido dinheiro. Com medo, ela procurou ajuda do Gaeco, sob sigilo. Segundo as primeiras informações, após receber cerca de R$ 15 mil em dinheiro, os policiais exigiram mais R$ 15 mil que deveriam ser pagos em 15 dias. A partir da segunda exigência em dinheiro, a pressão sobre a vítima aumentou ainda mais, de acordo com o promotor. A esposa da vítima foi abordada por um dos policiais civis. Ela saia de uma escola em Rio Claro, com o filho nos braços. Ela deixou a criança com terceiros e começou a circular dentro do carro de um dos investigados. Enquanto o marido não conseguisse os R$ 15 mil, ela não seria liberada, segundo informou o promotor Pereira. Para executar as prisões em flagrante, o Gaeco obteve provas como imagens filmadas por câmeras de monitoramento, extratos de saques bancários e depoimentos. "Ouvimos testemunhas e corremos atrás de imagens", disse Pereira. O promotor explicou que com o volume de provas em mãos, a Justiça (3ª Vara Criminal de Rio Claro) decretou a prisão preventiva de três dos quatro policiais investigados. Também autorizou as buscas e apreensões nas residências e locais de trabalho deles. O promotor Pereira ainda disse que um quarto policial civil não foi preso, mas foi conduzido a depor (condução coercitiva). O que encontraram Durante as investigações foram apreendidos R$ 16,5 mil em dinheiro, extratos bancários, investimentos em nome de terceiros de mais de R$ 300 mil, documentos de veículos, por exemplo de uma Mercedes Benz C 180, 39 porções de maconha etc. Indagado sobre o motivo do nome da Operação (Abutre), o promotor justificou o nome porque a ação dos três acusados, em determinado momento, foi sobre uma mãe com criança nos braços - no caso, a esposa de uma das vítimas. "Foi uma ação tão vil sobre uma mãe com uma criança", disse.

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