
A operação foi realizada por equipes do Seccold, do DEIC/Deinter 9, às 10h13, no bairro Vila Monteiro (Divulgação)
A Polícia Civil informou que prendeu em flagrante, neste domingo (5), dois homens suspeitos de operar um esquema de sorteio ilegal chamado “Vida Sorte”, em Piracicaba. Segundo o DEIC/Deinter 9, a atividade era realizada de forma clandestina, com venda de cartelas em Piracicaba, Limeira e municípios vizinhos.
A operação foi realizada por equipes do Seccold, do DEIC/Deinter 9, às 10h13, no bairro Vila Monteiro. De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos foram abordados no momento em que realizavam o sorteio ao vivo, com transmissão simultânea pelas redes sociais.
Foram presos A.L.E., de 60 anos, apontado pela investigação como organizador e administrador do esquema, e E.O.S., de 65 anos, que aparecia como titular nominal da empresa EOS Ltda., usada na operação. Segundo a Polícia Civil, a empresa havia sido aberta 45 dias antes do sorteio, com capital social declarado de R$ 25 mil.
O “Vida Sorte” era apresentado ao público como um “certificado premiável”, vendido por R$ 10 a cartela. O sorteio prometia um prêmio principal de R$ 100 mil em dinheiro, além de três prêmios de R$ 5 mil e 30 rodadas chamadas de “super giros”, com R$ 500 cada.
As cartelas eram vendidas presencialmente, por meio de revendedores, e também por aplicativos de mensagens. Os pagamentos, ainda segundo a investigação, eram processados por uma plataforma digital de intermediação financeira.
A Polícia Civil informou que os suspeitos usavam, de forma fraudulenta, um certificado de autorização pertencente ao Sol Nascente Futebol Clube, entidade filantrópica sediada em Tucuruí, no Pará. A entidade, de acordo com os investigadores, não tinha relação com o sorteio realizado no interior paulista e não sabia da utilização do documento.
Ainda conforme a Polícia Civil, a empresa dos investigados não tinha autorização legal dos órgãos federais competentes para realizar sorteios comerciais. A projeção investigada era de emissão de até 100 mil cartelas, o que poderia gerar arrecadação de R$ 1 milhão.
Como a premiação total anunciada era de R$ 115 mil, a diferença de R$ 885 mil é tratada pela investigação como valor sem destinação legítima ou tributação identificada, o que levou a Polícia Civil a apontar indícios de lavagem de dinheiro.
Durante as diligências, os policiais apreenderam R$ 610 mil em espécie, três veículos — um Honda Civic, uma BMW 320i e uma Toyota Hilux —, uma urna personalizada com a marca “Vida Sorte” e 60 bolinhas numeradas, além de uma caixa registradora usada no controle financeiro das vendas.
Também foram recolhidos computadores, notebooks, tablets, celulares, documentos, contratos, registros de vendas, planilhas, comprovantes financeiros, material gráfico de divulgação e uma máquina de contagem de cédulas.
As buscas foram cumpridas em quatro endereços nas cidades de Piracicaba e Limeira. Os mandados foram expedidos pelo Juízo de Garantias da 4ª Região de Piracicaba, após pedido feito com base na investigação policial.
De acordo com o DEIC/Deinter 9, a apuração começou após denúncias anônimas sobre a venda irregular de cartelas de premiação na região. O trabalho de inteligência mapeou a estrutura do grupo, o fluxo financeiro e a suspeita de fraude no uso de autorização de terceiros.
No local da abordagem, além dos dois homens presos, os policiais identificaram funcionários e técnicos de uma empresa de produção audiovisual contratada para fazer a transmissão em tempo real do sorteio.
Os dois presos foram autuados por exploração de jogo ilegal, estelionato, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. A autoridade policial também pediu à Justiça o bloqueio imediato das contas bancárias dos investigados e das empresas envolvidas, além do congelamento dos valores mantidos na plataforma digital usada para os pagamentos.
O inquérito segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos, apurar o volume total movimentado pelo esquema e rastrear o fluxo financeiro da operação.