Já na avaliação mensal (dezembro x novembro), a retração foi de 1,3%

Pesquisa indica que 46% da população atrasou ou deixou de pagar pelo menos uma conta (Antonio Trivelin)
Quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017 A inadimplência do consumidor em Piracicaba caiu 2,9% no acumulado de 12 meses. Os dados são da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Comparando-se dezembro de 2016 com o mesmo mês de 2015, a inadimplência teve queda de 2,6%, de acordo com os números. Já na avaliação mensal (dezembro x novembro), a retração foi de 1,3%. Paulo Roberto Checoli, presidente da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi), observa que a redução do volume de endividados demonstra uma melhora no cenário local. “As quedas da inadimplência, em Piracicaba, mostram que, ao invés de estarem engordando os cadastros do bureau de crédito (SCPC), os consumidores têm conseguido se afastar das listas de nomes sujos”, analisa o dirigente. “O principal fator para que isso ocorresse foi exatamente a redução significativa no consumo e no crédito. Apesar de estarem com menos renda, por conta do alto corte nos empregos do ano passado para cá, as famílias não estão contraindo mais dívidas. Isso acaba por ajudar a inadimplência a recuar”, acrescenta Checoli. Já o indicador de recuperação de crédito do consumidor na cidade – obtido a partir da quantidade de exclusões dos registros de inadimplência – apontou elevação de 8,3% no acumulado do ano. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador caiu 1,3%, e na avaliação mensal (em relação ao mês anterior), houve aumento de 0,5%. “O movimento das pessoas que deixaram o cadastro do SCPC e recuperaram sua condição creditícia também demonstra um desempenho muito bom. O resultado do acumulado do ano até dezembro (8,3%) se mostra superior ao avanço apurado no acumulado do ano até novembro (7,8%), o que demonstra uma progressão no resultado do indicador”, avalia Checoli. Nacional O panorama piracicabano serve de alento diante do quadro nacional. As dívidas, a inadimplência e a dificuldade em fazer o dinheiro render, principalmente nesses dias de turbulência econômica e desemprego, continuam pautando o comportamento financeiro do brasileiro. Um levantamento recente - feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) - aponta que 46% da população atrasou ou deixou de pagar pelo menos uma conta em 2016. "Isso é coisa bastante normal nesses tempos", garante o contador Júlio César Ribeiro, 35 anos de idade, que embora se considere bastante responsável em relação às finanças pessoais, reconhece que, com frequência, é preciso apertar o botão de emergência e deixar uma ou outra conta de lado para, por exemplo, fazer um supermercado ou pagar a fatura do cartão de crédito". As contas mais proteladas em 2016 foram cartão de crédito (19%), energia elétrica (17%) e internet (13%). Mas a pesquisa - realizada entre 606 consumidores com mais de 18 anos de idade, em 27 Capitais - ainda trouxe à tona outros dados como, por exemplo, a constatação de que 65% entre aqueles que retardaram pagamentos tiveram o CPF incluído em listas de maus pagadores. Esses brasileiros são em sua maioria (69%) das classes C, D e E. O azulejista André Macedo Silveira, 26 anos de idade, diz que inicialmente deixou de pagar uma parcela de um financiamento de uma motocicleta. "O problema é que aquilo que era um 'deixa para lá' temporário virou uma bola de neve incontrolável. No fim, atrasei três mensalidades e aí o meu nome foi parar no Serasa", relata. Já o "pecado" da microempresária e turismóloga Camila Pignata, 33 anos de idade, foi menor. "Andei atrasando o cartão de crédito no ano passado, mas já paguei e, então, parei de usá-lo", comenta. Uma a cada três pessoas se considera endividada Um em cada três pesquisados se considera "endividado" segundo o levantamento recente feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Curioso, porém, é que 77% dos entrevistados têm uma noção equivocada do que é estar endividado: 45% acham que isso significa ter contas em atraso; 31% acreditam que endividado é quem está com o nome sujo em empresas de proteção ao crédito; e somente 21% fizeram a opção pela definição correta: endividado é aquele cidadão que possui parcelas a vencer ou empréstimos feitos. "Estar endividado, para mim, é quando seus gastos são maiores do que sua renda, ou seja, quando você gasta mais do que pode pagar", arrisca a turismóloga Camila Pignata. "E isso se deve principalmente à falta de planejamento", acrescenta. O empresário Sérgio Alves, 46 anos de idade, conta que, no ano passado, já atrasou o pagamento do condomínio onde reside e que já cometeu excessos financeiros, mas que nunca teve o nome e o CPF relacionados em listas de inadimplentes. "Felizmente, ainda não cheguei no Serasa. Vou administrando a situação", afirma. Em relação aos negativados nos últimos 12 meses, o estudo detectou que apenas 15% deles conseguiram driblar a má fase e regularizar a situação. Metade ainda continua com o nome sujo, aponta a pesquisa. Outro estudo da SPC Brasil e da CNDL indica que 39% da população brasileira adulta (58,3 milhões de pessoas) constam nas listas de inadimplência. Da turma que gastou mais do que devia e ficou negativada, 89% afirmam de pés juntos que amadureceram e mudaram sua atitude em relação às finanças pessoais. Uma parcela de 27% diz que, desde então, só compra coisas à vista, 34% dizem que pensam bastante antes de adquirir alguma coisa, 30% começaram a controlar os gastos, 24% deixaram de emprestar o nome para terceiros e 11% cancelaram seus cartões de crédito.