Segurança

Piracicaba pode ganhar Casa Maria da Penha

Proposta foi discutida entre a Delegacia de Defesa da Mulher e a Prefeitura Municipal, com base na Lei Maria da Penha. Iniciativa prevê criação de casa de acolhimento para mulheres vítimas de violência em Piracicaba

Da Redação
12/11/2025 às 06:55.
Atualizado em 12/11/2025 às 06:55

Delegada Olívia Fonseca, titular da DDM, durante coletiva ontem (Mateus Medeiros)

A cidade de Piracicaba pode ganhar em breve uma unidade da Casa Maria da Penha, espaço de acolhimento e proteção para mulheres em situação de violência. A informação foi dada pela titular da Delegacia da Defesa da Mulher (DDM), Olívia Fonseca, durante coletiva ontem à tarde. Ela disse que tratou do tema com o prefeito Helinho Zanatta e o secretário de Bem-Estar Social, Edvaldo Brito. A iniciativa faz parte das políticas públicas previstas pela Lei Maria da Penha.

Segundo a delegada, a parceria entre a DDM e a Prefeitura caminha para a criação de um abrigo seguro e estruturado, que ofereça assistência jurídica, psicológica e social. “A delegacia é a porta de entrada, mas não pode ser a única. Precisamos de uma rede que acolha, proteja e acompanhe essas mulheres em todas as etapas e a casa é uma delas”, afirmou.

Além da casa abrigo, Olívia defende a instalação de uma vara especializada em violência doméstica, também prevista pela Lei Maria da Penha. “Grande parte dos processos registrados na DDM de Piracicaba é dessa natureza. Uma vara decidiria tudo: da agressão à guarda dos filhos e separação. Hoje, a mulher precisa passar por várias instâncias para resolver questões que poderiam ser concentradas em um só lugar”, explicou.

A delegada também destacou que o crescimento de 14% na emissão de medidas protetivas até outubro, em comparação com o mesmo período do ano passado, tem relação à maior divulgação dos serviços e à ampliação do atendimento da DDM, que passou a funcionar 24 horas por dia. “A mulher pode registrar o boletim de ocorrência presencialmente ou pela internet. Assim que o registro é feito, já iniciamos a investigação”, disse.

Entre os crimes mais registrados em Piracicaba está o de lesão corporal, por ser mais visível. Já a violência psicológica segue como um desafio, por ser mais difícil de identificar. Em 2024, a DDM fechou o ano com 1.202 inquéritos. Em 2025, esse número já ultrapassa 1.500.

Olívia também mencionou o projeto Heróica, iniciativa da sociedade civil que oferece assistência jurídica e psicológica gratuita às mulheres. “Precisamos dessas práticas para que a violência não se perpetue. A delegacia resolve as demandas criminais, mas há muitas outras que precisam de encaminhamento especializado”, pontuou.

Ela reforçou que o atendimento exige cuidado e tempo. “Às vezes a mulher tem dificuldade de relatar o que viveu. Mas a DDM é uma porta aberta, dentro do que podemos atender. Aplicamos a lei, mas não a criamos. E para que uma medida protetiva funcione, o agressor precisa ser notificado. Sem isso, a providência é inútil.”

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