Morador de condomínio de alto padrão foi ouvido e liberado
Terça-feira, 6 de março de 2018 Um morador de Piracicaba está entre as pessoas investigadas pela Polícia Federal, que realizou, na manhã desta segunda-feira (5), a terceira fase da Operação Carne Fraca, denominada Operação Trapaça, que visa combater fraudes laboratoriais perante o Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento. Os mandados de busca e apreensão, e de condução coercitiva, foram cumpridos pela PF de Piracicaba. O chefe da Delegacia local da PF, Florisvaldo Emílio das Neves, disse que a unidade apenas cumpriu os mandados em uma única casa localizada em um condomínio de alto padrão. O aparelho celular do investigado foi apreendido e liberado, na sequência, após formalização da ocorrência. A condução coercitiva é uma forma impositiva de levar sujeitos do processo, ofendidos, testemunhas, acusados ou peritos, independentemente de suas vontades, à presença de autoridades policiais ou judiciárias. Nesta segunda-feira, foram cumpridas 91 ordens judiciais nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo, sendo 11 mandados de prisão temporária, 27 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão. Cerca de 270 Policiais Federais e 21 Auditores Fiscais Federais Agropecuários participaram das ações, como resultado de ação coordenada entre a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As investigações demonstraram que cinco laboratórios credenciados junto ao MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento -, e setores de análises de determinado grupo empresarial, fraudavam resultados de exames em amostras de seu processo industrial, informando ao Serviço de Inspeção Federal dados fictícios em laudos e planilhas técnicos. Inspeção burlada As fraudes operadas, segundo a Polícia, tinham como finalidade burlar o Serviço de Inspeção Federal (SIF/MAPA) e, com isso, não permitir que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da empresa investigada. As investigações demonstraram que a prática das fraudes contava com a anuência de executivos do grupo empresarial, bem como de seu corpo técnico, além de profissionais responsáveis pelo controle de qualidade dos produtos da própria empresa. Também foram constatadas manobras extrajudiciais, operadas pelos executivos do grupo, com o fim de acobertar a prática desses ilícitos ao longo das investigações. Os investigados poderão responder, entre outros, pelos crimes de falsidade documental, estelionato qualificado e formação de quadrilha ou bando, além de crimes contra a Saúde Pública.