Matriculados na Escola 'Edson Rontani' participaram de oficinas

Os alunos dançaram e se divertiram com uma das representantes do Grupo Vivavós (Del Rodrigues)
(Data - Quinta-feira, 24 de novembro de 2016) Despertar e valorizar o sentimento de negritude entre os alunos, promover debates e reflexões sobre racismo e preconceito, além de vivenciar manifestações culturais afro-brasileiras no ambiente estudantil. Com esse pacote de intenções, foi realizada, nesta quarta-feira (23 de novembro de 2016), a primeira edição do Dia da Consciência Negra na Escola Estadual 'Edson Rontani', localizada no bairro Residencial Altos de Piracicaba. Durante todo o dia, os alunos participaram de oficinas ligadas ao tema da cultura africana e indígena - capoeira, makulelê, turbantes, maquiagem, cabelo, jogos matemáticos africanos, artes cênicas (inspirada no Teatro do Oprimido, do dramaturgo e diretor de teatro, Augusto Boal) -, um bate-papo com um representante do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba (Conepir) e atrações culturais (shows e exposições). Por volta das 15 horas, aliás, houve ainda uma apresentação do grupo de choro Água de Vintém. A ação envolveu cerca de 300 alunos dos Ensinos Fundamental e Médio do colégio, conta a professora de História, Letícia Vidor de Sousa Reis, uma das organizadoras do evento. "A ideia de tudo isso é mobilizar nossos alunos, já que a maioria é de afro-descendentes. Mas também elevar a autoestima deles e estimular a batalha contra o preconceito racial", afirma a educadora, que é autora do livro Capoeira - Uma Herança Cultural Afro-Brasileira. Teatro Pela manhã, uma peça teatral abordou o tema bullying, lembra Maria de Fátima Cruzatto, professora mediadora da escola. "Esse teatro teve a participação de alunos, mães de alunos, professores e funcionários da escola", comenta. Para Victor Silva de Campos, 12 anos de idade, do 6º ano, o evento foi "uma boa oportunidade para a gente discutir e combater o racismo". A estudante Bruna Jakcelle de Moura Borges, 15 anos de idade, do 9º ano, também elogiou o encontro. "É legal falar da minha cultura, a negra. Além disso, as pessoas têm a oportunidade de conhecer mais coisas sobre a cultura afro-brasileira", afirma a garota. Bruna ainda salientou a importância de se combater no ambiente escolar o racismo e o preconceito, problemas dos quais ela mesmo já foi vítima. "Já fui xingada de macaca. Mas nenhuma pessoa tem o direito de xingar alguém por causa da raça ou do gênero", diz. José Antônio Soares Júnior, professor de Ciências, Biologia e de Matemática naquela escola, e também um dos articuladores do projeto, observou que o evento estudantil propicia dois ganhos. "O primeiro é o pedagógico, pois hoje a escola, infelizmente, carece de ações que envolvam significados e prazer. Pensando nisso, esse é um encontro diferente, que faz os alunos saírem da rotina e dar risadas", afirma. "E o segundo ganho é o lance da negritude. É importante para esses jovens, considerando que muitos têm carência material, afetiva e falta de uma boa perspectiva para o futuro, discutir esse tema e promover reflexões acerca dele", acrescenta Soares Júnior.