Polícia Federal investiga fraudes em 28 Institutos, em sete Estados
Sexta-feira, 13 de abril de 2018 A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão no Instituto de Previdência e Assistência Social dos Funcionários Municipais de Piracicaba (Ipasp) na manhã desta quinta-feira (12). A ação fez parte da Operação Encilhamento, que investiga 28 Institutos de Previdência Municipais e 13 Fundos de Investimentos. Esta é a segunda fase da Operação Papel Fantasma, e tem como objetivo apurar fraudes envolvendo a aplicação de recursos desses institutos em Fundos de Investimento que contêm, entre seus ativos, debêntures sem lastro, emitidas por empresas de fachada. A estimativa da PF é que as debêntures emitidas pelas empresas de fachada ultrapassam o valor de R$ 1,3 bilhão. Os Institutos teriam investido em Fundos que, direta ou indiretamente, adquiriram papéis sem lastro. Segundo a PF, 13 pessoas foram presas nesta quinta-feira, na Operação. Em sete Estados, foram cumpridos pelos policiais federais e por auditores-fiscais da Receita Federal, 60 mandados de busca e apreensão e 20 mandados de prisão temporária expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. No Estado de São Paulo a Operação ocorreu em São Paulo, Rio Claro, Jundiaí, Barueri, Itaquaquecetuba, Osasco, Jandira, Suzano, Porto Ferreira, São Sebastião, Piracicaba, Assis, Hortolândia, Paulínia e Paranapanema. Os demais Estados onde houve a ação, foram Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Goiás. Ipasp O Instituto confirmou, nesta quinta-feira, que policiais federais estiveram no órgão. Em nota, o Ipasp esclareceu que "colaborou com a investigação e nenhuma irregularidade aparente foi constatada. Todo e qualquer material apreendido será encaminhado a São Paulo para análise mais profunda". A Delegacia da Receita Federal em Piracicaba afirmou que o órgão não fez apreensão no Ipasp e a Polícia Federal não divulgou o que foi apreendido. No segundo semestre de 2016, foi constatada a existência de R$ 827 milhões em apenas oito destes 28 Fundos investigados, dinheiro que, em última análise, destina-se ao pagamento das aposentadorias dos servidores municipais. De acordo com Agência Brasil, o delegado Victor Hugo Rodrigues Alves, chefe da Delegacia de Combate à Corrupção e de Crimes Financeiros, afirmou que "a Operação desvendou um grande esquema envolvendo Corretoras de Valores, empresas de fachada, consultores de investimentos e vários Institutos de Previdência ligados a Prefeituras. A organização criminosa causou um enorme prejuízo ao patrimônio desses institutos de previdência", disse. Segundo ele, a Operação visou os regimes próprios de Previdência Municipal e podem afetar a aposentadoria de muitos servidores.