Proposta é intensificar a divulgação dos fatores de risco para a DRC
Quinta-feira, 8 de março de 2018 Como este ano o Dia Mundial do Rim é comemorado nesta quinta-feira (8), data em que se reverencia, também, o Dia Internacional da Mulher, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) coordena a Campanha Nacional que tem como tema 'A Saúde da Mulher – Cuide de Seus Rins'. A proposta é intensificar a divulgação dos fatores de risco para a Doença Renal Crônica (DRC), além de estimular cuidados com a saúde dos rins, ampliando cada vez mais o número de pessoas atingidas com informações sobre prevenção e a importância do diagnóstico precoce da doença renal crônica. O nefrologista, Alex Gonçalves, coordenador da Unidade de Nefrologia da Santa Casa de Piracicaba, explicou que a DRC consiste em uma lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins, responsável por filtrar o sangue, removendo as substâncias tóxicas e o excesso de água do organismo. “Um em cada 10 adultos apresenta doença renal crônica”, revelou o nefrologista, com base em estudos apresentados recentemente pela SBN. Segundo ele, geralmente, os pacientes buscam ajuda médica quando a doença já se encontra em estágio avançado, quadro que geralmente exige a realização de diálises. Isso porque a doença é silenciosa e os primeiros sintomas só aparecem em estágios avançados, quando já não há cura. “Como se trata de uma doença silenciosa, é difícil estabelecer um protocolo de sintomas que identifiquem o início de uma doença renal”, alertou Gonçalves. Os sinais mais associados à DRC, entretanto, incluem falta de apetite, náuseas, anemia e perda de massa muscular. Como o funcionamento da glândula endócrina também é afetado pela doença, ela pode causar problemas de fertilidade e desempenho sexual. “O ideal mesmo é se prevenir, mantendo hábitos saudáveis que evitam doenças frequentemente associadas à obesidade, hipertensão e diabetes”, disse o nefrologista, indicando exercícios periódicos, manutenção do peso adequado, alimentação saudável e check-up periódico. “Também é importante evitar o tabagismo e realizar exames simples como o de urina e o que mede a creatinina no sangue, que ajudam a detectar o problema antes de ele se tornar uma insuficiência permanente, permitindo que o nefrologista atue para manter os rins funcionando. Com relação aos números, a ocorrência de doenças renais crônicas tem crescido exponencialmente. O número de pacientes com DRC que precisaram de diálise no Brasil passou de 42 mil para 122 mil nos últimos 16 anos, fazendo com que 20 mil pessoas estejam em lista de espera para receber transplante de rim. Até lá, a opção é submeter o paciente à diálise peritonial (que faz uso de cateter flexível no abdômen do paciente para infusão de líquido na cavidade abdominal) ou à hemodiálise, que bombeia o sangue através de máquina hemodialisadora para remover as toxinas do organismo. “Cerca de 111 mil brasileiros fazem diálise e a estimativa é que mais de 30 mil novas pessoas passem a precisar do tratamento todos os anos”, disse Gonçalves. Na Santa Casa de Piracicaba, cuja Unidade de Nefrologia é referência regional para o tratamento de doenças renais, 229 pacientes estão em tratamento; sendo 198 em hemodiálise e 31 em diálise peritonial.