
A federação propõe ainda a criação de um Plano Nacional de Segurança para o Turismo de Aventura (Divulgação)
A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) cobrou do Ministério do Turismo e da Secretaria de Estado de Turismo e Viagens de São Paulo medidas para reforçar a fiscalização de atividades ligadas ao turismo de aventura, informou a entidade. A manifestação ocorre após a morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira.
Os ofícios foram protocolados entre os dias 16 e 18 de junho. Nos documentos, a federação pede esclarecimentos sobre licenciamento, autorizações, monitoramento e mecanismos de controle aplicados a operações de lazer consideradas de risco.
Maria Eduarda, que era educadora física e morava em Jandira, morreu no dia 13 de junho, durante uma atividade na Ponte do Esqueleto, estrutura de uma obra ferroviária inacabada em Limeira. Segundo a Fhoresp, a jovem foi lançada de uma ponte de cerca de 40 metros de altura sem o uso de cordas de segurança. Até o momento, seis pessoas foram presas, entre instrutores e integrantes da equipe responsável pela organização e execução da atividade.
Para a federação, o caso expõe a necessidade de ampliar o debate sobre segurança, qualificação profissional, fiscalização e cumprimento de normas em atividades radicais. A entidade afirma representar mais de 500 mil estabelecimentos no estado de São Paulo e 24 sindicatos patronais.
O diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto, afirma que o turismo de aventura tem relevância econômica, sobretudo para cidades do interior, mas depende de regras claras para funcionar com segurança. “O turismo de aventura tem potencial para a geração de empregos e de renda, além de ser sinônimo de desenvolvimento regional. No entanto, operações de risco exigem regras claras, fiscalização ferrenha, especialização e mecanismos capazes de garantir segurança aos consumidores e aos instrutores”, disse.
Nos ofícios, a Fhoresp solicita informações sobre as normas vigentes, os órgãos responsáveis pela concessão de autorizações e fiscalização e os requisitos para emissão e renovação de licenças para exploração de esportes radicais. A federação também questiona a quantidade de operadores autorizados em atuação no estado de São Paulo e no Brasil.
A entidade defende a criação de um Cadastro Nacional de Operadores, a exigência de certificação profissional para instrutores, a inspeção periódica de equipamentos e a implantação de um sistema de monitoramento e investigação de acidentes. Também pede que informações sobre as empresas e atividades estejam disponíveis de forma acessível aos consumidores.
A federação propõe ainda a criação de um Plano Nacional de Segurança para o Turismo de Aventura, com participação do poder público, entidades técnicas, especialistas e representantes do setor. Para Edson Pinto, a fiscalização, a qualificação profissional e a informação ao consumidor podem reduzir riscos e preservar a credibilidade do segmento.