ABRIL AZUL

Mês do Autismo acontece, também, em Piracicaba

Na cidade, nascem cerca de 50 autistas por ano; eventos prosseguem

Marcelo Rocha
04/04/2018 às 09:21.
Atualizado em 18/04/2022 às 23:41

Quarta-feira, 4 de abril de 2018 O Dia Mundial da Conscientização do Autismo - Síndrome que atinge cerca de 70 milhões de pessoas no globo, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) - foi celebrado, na última segunda-feira (2). Mas durante todo o mês, instituições e entidades filantrópicas promoverão ações/campanhas pelo Brasil (norteadas pela cor azul, que é considerada a cor do autismo) com o intuito de combater o desconhecimento e o preconceito em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em Piracicaba, uma programação gratuita foi desenvolvida em conjunto pela Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Piracicaba (Auma), pelo Instituto Autismo de Piracicaba (IAP) e pelo Espaço Kairós. Desde segunda-feira, já houve sessões de cinema para jovens e crianças com autismo (no Shopping Piracicaba) e palestras com especialistas (no Senac e na Câmara de Vereadores). A programação prosseguirá nesta quarta-feira (4) e seguirá até domingo (8). A Síndrome atinge quase dois milhões de brasileiros. "Em Piracicaba, nascem cerca de 50 autistas por ano, dentre os cerca de 5,6 mil nascimentos registrados anualmente no município", contou Débora Corrêa Bueno, psicóloga da Auma, instituição que hoje em dia atende cerca 65 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos. "A cada 68 crianças que nascem no Brasil, uma tem propensão a evoluir para o autismo", afirmou Débora, que destaca que, atualmente, o diagnóstico do transtorno é mais preciso do que num passado não muito distante, graças ao olhar mais atento dos profissionais de Saúde. "Quem fecha o diagnóstico é o médico, que normalmente é um psiquiatra ou um neurologista", explica. De acordo com a psicóloga, as três características mais comuns entre os autistas são a dificuldade de comunicação e de interação social e a execução de movimentos repetitivos e estereotipados. Aspectos que, normalmente, são percebidos com mais clareza a partir dos três anos de idade. "Basicamente são os fatores que levam à identificação do transtorno", comentou. O autismo, esclareceu Débora, é um transtorno global de desenvolvimento, ou um conjunto de comportamentos, que pode ser ocasionado pela combinação de doenças na gestação (ou logo após o parto), intoxicação por metais pesados, fatores genéticos e má formação neurológica. "O autismo nunca é causado por um fator específico", ressaltou. De maneira geral, há dois grupos de autistas, contou Débora. Os de alto funcionamento, que necessitam de pouco suporte para o convívio social e exercer atividades rotineiras; e os autistas de baixo funcionamento, "que são aqueles que precisam de suporte mais presente, desde a alimentação, cuidados básicos e atividades sociais". "Geralmente, os autistas são muito regrados, metódicos, práticos e concretos. Mas, podem, por exemplo, serem excelentes músicos por conta da matemática", afirmou Débora. "Ou então desenvolverem habilidades especiais e terem a percepção muito aguçada". Na Auma, o tratamento de autistas geralmente envolve Fonoaudiologia (para trabalhar a melhora da fala), Psicoterapia (que foca no aspecto social), Fisioterapia (disfunções motoras) e Terapia Ocupacional (desenvolvimento corporal, noção espacial, situações cotidianas). "O tratamento é feito em cima das dificuldades do autista, quanto mais cedo a intervenção, melhor será o resultado", afirmou. "E nas terapias a gente costuma envolver as famílias também", acrescentou. "A nossa maior preocupação, aqui na Auma, é que o autista seja o mais autônomo possível", diz Débora, que observa que o autismo é uma síndrome que atinge mais homens do que mulheres. "A Ciência ainda não descobriu as razões disso, mas a cada cinco autistas quatro são meninos", informou. Transtorno do Espectro Autista Nesta quarta-feira, a médica Deborah Kerches de Mattos Aprilante, que é especialista em Pediatria e Neurologia Infantil, ministrará a palestra 'Transtorno do Espectro Autista', no Senac Piracicaba, das 19h30 às 21h30. Nesta quinta-feira (5), também no Senac, das 19h30 às 21h30, será realizada uma mesa-redonda com a participação de profissionais que trabalham com autistas na cidade (pedagoga, psicóloga, fonoaudióloga, psicopedagoga, educador físico, musicista e outros) e representantes das instituições de Piracicaba. E no domingo (8), a partir das 9 horas, uma caminhada, com saída do Mercado Municipal, em direção à praça José Bonifácio, encerrará as atividades da Semana.

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