FEBRE AMARELA

Médico esclarece dúvidas sobre vacina

Ela só é obrigatória aos viajantes a países com risco de contaminação

Ana Cristina Andrade
27/01/2018 às 22:55.
Atualizado em 19/04/2022 às 01:17

Segunda-feira, 29 de janeiro de 2018 Quando se fala em febre amarela, as perguntas mais frequentes são: quem deve receber a dose dessa vacina? Quais os riscos que ela oferece? Se tomei vacina uma vez devo tomá-la de novo? O risco de morte para quem recebe a dose é grande? Essas e outras dúvidas são esclarecidas pelo médico infectologista do Instituto de Vacinação e Infectologia de Piracicaba, Hamilton Bonilha. Ele, de imediato, esclarece que, como Piracicaba está excluída da lista dos municípios com recomendação permanente de vacinação, apenas os residentes em área rural - e quem irá viajar para áreas de risco - devem ser imunizados.  A vacina para febre amarela, segundo ele, está incluída no calendário de vacinação para o Estado de São Paulo, sendo a primeira dose aos nove meses e a segunda após quatro a seis meses, mas não é obrigatória. “Ela só é obrigatória aos viajantes para os países com risco de contaminação. É preciso salientar que a vacina é a principal medida de prevenção e a única forma da doença permanecer nas áreas silvestres e não chegar na área urbana”, destaca o médico. Piracicaba está fazendo a dose plena desta vacina para moradores da área rural e para viajantes que irão para as áreas de risco. No Estado, 53 cidades estão recebendo mutirão da vacina com dose fracionada, ou seja, meia dose. “Só não podem tomar menores de dois anos e quem vai viajar para países onde a doença é endêmica. Quem tomar dose fracionada deverá repeti-la daqui há oito anos”. Sobre a reação causada pela vacina, Bonilha ressalta que a mais frequente é a dor no local de aplicação, que tem intensidade leve e moderada,que pode durar um ou dois dias. Outras reações consideradas sem gravidade, segundo o infectologista, são febre com duração de até sete dias, dor de cabeça e dor no corpo. “Essa vacina é uma das mais seguras e eficazes. Raramente reações graves têm sido notificadas", acrescenta. “Ela é uma vacina de vírus atenuado, enfraquecido, não é vírus morto. Então, a reação grave ocorre de uma em 500 mil pessoas. Se vacinar a população inteira de Piracicaba, por exemplo, não devemos ter nenhum caso grave pelo efeito adverso dela. Por outro lado, os benefícios que a vacina contra a febre amarela pode trazer são muito maiores do que os efeitos contrários”. No Estado de São Paulo, segundo ele, houve 40 casos confirmados da doença adquiridos no próprio Estado, sendo que deles 21 resultaram em morte. “São 52% de letalidade. “Tivemos casos em Atibaia, Jundiaí, Itatiba, Jarinu, Mairiporã, São João da Boa Vista, principalmente em regiões que existe um condensado de matas. Felizmente, no Brasil, ainda não tivemos caso de febre amarela urbana - vírus adquirido na cidade. Só tivemos forma silvestre, que é o indivíduo indo à mata, sendo picado pelo mosquito e adquirido o vírus da febre amarela”, declara. À medida que se faz vacinação nessas áreas de risco, segundo Bonilha, a doença acaba sendo bloqueada nas áreas silvestres. “Volto a dizer que quem deve tomar a vacina é quem mora na área rural, quem visita pessoas que residem nessas áreas e quem viaja para áreas com vírus circulantes”. Não precisa De acordo com o infectologista, quem já tomou uma dose da vacina anteriormente não precisa tomar de novo. “Só deve repetir a dose da vacina quem tomou com menos de cinco anos de idade”. Sintomas Hamilton Bonilha explica que os sintomas iniciais da febre amarela incluem o início súbito de febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. A maioria das pessoas melhora após estes sintomas iniciais, segundo o médico. “No entanto, cerca de 15% apresenta um breve período de horas a um dia sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença”, observa. Ele expica que em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem doença grave, segundo o especialista, podem morrer. “Depois de identificar alguns desses sintomas, procure um médico na unidade de saúde mais próxima e informe sobre qualquer viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas, se observou mortandade de macacos próximo aos lugares que você visitou”. De acordo com ele, é preciso informar, ainda, se quem está com os sintomas já tomou a vacina contra a febre amarela, inclusive a data em que recebeu a dose. Como o vírus acaba agredindo o fígado, segundo o infectologista, em formas mais graves a pessoa pode apresentar sangramentos, entrar num quadro de insuficiência renal, hepática (do fígado) e vindo a falecer. “Não existe nenhum tratamento específico para o vírus da febre amarela. O tratamento é apenas de suporte, com hidratação adequada, evitar uso de anticoagulantes, de medicamentos que podem facilitar o sangramento, tal como Ácido Acetil Salicídico (AAS) e anti-inflamatórios não hormonais”. É importante, ressalta ele, tentar com este tratamento manter o paciente vivo até a eliminação do vírus do seu organismo. Existe um período chamado de viremia que vai de sete a 10 dias”.

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