'VEM PRA RUA'

Manifesto na praça contra a impunidade

Piracicaba aderirá ao ato em defesa da prisão em segunda instância

Adriana Ferezim
03/04/2018 às 09:32.
Atualizado em 19/04/2022 às 02:53

Terça-feira, 3 de abril de 2018 Para mostrar que ninguém está acima da lei e para que o Supremo Tribunal Federal (STF) não altere a prisão de condenados em segunda instância por um Tribunal Colegiado, o Movimento 'Vem Pra Rua' mobilizará 115 cidades do País, incluindo Piracicaba, nesta terça-feira (3). Os organizadores do ato esperam reunir cerca de três mil pessoas, na praça José Bonifácio, Centro, às 18 horas. Os protestos acontecerão nesta terça-feira porque, nesta quarta-feira (4), o STF vai deliberar sobre o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Nosso ato mostrará que a mudança dessa norma colocaria em risco a manutenção de quem está preso e de outros que podem vir a serem presos. Se essa decisão for tomada, poderá abrir um precedente perigoso e jogando todo o trabalho e conquista da Operação Lava Jato no ralo. A sensação de impunidade poderia gerar uma grande revolta", afirmou o coordenador do 'Vem Pra Rua Piracicaba', Willian Bueno. Segundo ele, a princípio a manifestação desta terça-feira será marcada por um ato pacífico que permanecerá na praça, sem a realização de passeata, a não ser que os participantes definam percorrer as ruas do Centro. "Queremos dar o nosso recado ao STF. Lugar de condenado é na cadeia", disse. O ato conta com os apoios da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi) e da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana). Ambas as instituições estão convidando os seus associados e colaboradores para participarem da manifestação contra a impunidade e a sustentação das condenações em segunda instância para políticos e qualquer outro cidadão que cometa delitos. "O Brasil é um dos poucos países que ainda levam as decisões para condenação até as últimas instâncias. "Independe de quem seja, a lei é para todos! Passamos muito tempo achando que a lei não funciona para os poderosos e para os políticos. Para que este futuro esteja mais próximo, precisamos dar o recado aos ministros do STF", afirmou Bueno. Entidades A Acipi informou, em nota que, como uma entidade de classe que trabalha com foco no desenvolvimento da cidade e do País, apoia a mobilização da sociedade de forma não partidária.  "A lei deve ser aplicada a todos. A concessão do habeas corpus vai contra os esforços da operação Lava Jato, que, por sua vez, é a favor da democracia e da justiça. E mais importante ainda é o fato de que isso abre precedentes para que outros criminosos, que cometeram outros tipos de delitos graves contra a sociedade, possam ter suas prisões revistas após condenação, o que caracteriza um retrocesso na aplicação da legislação brasileira. O STF não pode mudar os princípios jurídicos para favorecer determinados condenados. A lei tem que ser igual para todos e não podemos aceitar benefícios jurídicos para atender a um condenado e colocar toda a sociedade em risco. A participação da sociedade se faz necessária com engajamento, principalmente, dos jovens nesse importante momento do nosso País", explicou Luiz Carlos Furtuoso, vice-presidente da Acipi. O presidente da Coplacana, Arnaldo Bortoletto, afirmou que convidou os produtores rurais para participar, além dos colaboradores. "Esse ato público é fundamental para fortalecer o tema contra a impunidade e que a condenação em segunda instância tem de ser mantida. "O STF não pode voltar atrás. É algo que está sacramentado, que deve ser mantido porque não está em risco somente os crimes políticos, mas todos. É preciso que o Brasil todo acorde para isso", afirmou.

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